The Trade Desk equaciona ajustar os seus incentivos em ações para reforçar a retenção de colaboradores

A The Trade Desk propõe reduzir o preço de exercício de até 15,6 milhões de ações para recuperar a atratividade dos seus incentivos para os colaboradores. A proposta, apresentada num documento submetido à SEC, prevê reduzir o preço a que os trabalhadores podem adquirir ações da empresa. O objetivo é devolver valor a opções que atualmente se encontram underwater, ou seja, cujo preço de exercício está muito acima do valor atual das ações.

A empresa considera que a desvalorização das suas ações pode afetar a sua capacidade para reter talento. Na documentação apresentada, a The Trade Desk salienta que as alterações adversas no preço das suas ações poderão prejudicar significativamente a retenção de colaboradores que dispõem destas opções. A empresa defende que as opções sobre ações continuam a ser uma componente importante da sua política de compensação, mas reconhece que aquelas cujo preço de exercício está muito acima da cotação atual podem ter perdido grande parte da sua capacidade enquanto incentivo.

Aproximadamente 80% das opções que poderão ser reavaliadas correspondem a colaboradores não executivos, enquanto cerca de 10% estão na posse do CEO e fundador da The Trade Desk, Jeff Green, e outros 10% pertencem a outros membros da direção. A empresa reconhece que a medida também poderá beneficiar os executivos, embora as atribuições de ações associadas ao desempenho de Green não façam parte da proposta.

Entre estas últimas encontra-se uma nova atribuição anunciada este mês que lhe permitiria adquirir até 7 milhões de ações caso a cotação atinja determinados objetivos, situados entre 18 e 105 dólares por ação.

A proposta será submetida à votação dos acionistas no próximo dia 19 de outubro. Caso seja aprovada, as opções elegíveis serão reajustadas tendo como referência o preço de fecho da ação nessa data. No entanto, a aprovação parece contar com uma margem significativa. Green controla, através das suas participações, incluindo ações de Classe B com direitos de voto reforçados, aproximadamente 50,2% do poder de voto da empresa.

A reestruturação surge depois de um período complicado para a The Trade Desk. A empresa enfrentou uma concorrência crescente por parte da Amazon, alterações na sua equipa de gestão, críticas relacionadas com algumas funcionalidades dos seus produtos e uma deterioração da relação com a Publicis, um dos seus principais clientes.

A evolução bolsista também tem sido particularmente negativa. A The Trade Desk chegou a atingir uma capitalização de mercado de aproximadamente 69 mil milhões de dólares, mas a sua cotação caiu cerca de 90% desde os máximos registados no final de 2024.

A esta situação soma-se o recente anúncio de um corte de 15% da força de trabalho, num momento em que a empresa procura ajustar a sua estrutura e recuperar dinamismo.

Para Dan Salmon, partner da empresa de análise New Street Research, a reavaliação do preço das opções pode ser interpretada como parte de uma estratégia de recuperação. Depois dos despedimentos e da reorganização da equipa de gestão, devolver valor às opções poderá contribuir para melhorar a perceção dos mais de 2.300 colaboradores que têm opções suscetíveis de ser reajustadas.

No entanto, Salmon alerta que a operação, por si só, não altera o valor da empresa. Na sua opinião, a medida representa essencialmente uma redistribuição de valor entre os acionistas e os colaboradores e executivos.

A decisão reflete, assim, um dos desafios enfrentados pelas empresas tecnológicas e de AdTech depois de fortes quedas bolsistas: manter os incentivos associados a ações quando as opções atribuídas durante períodos de cotações elevadas perderam grande parte da sua atratividade.

Para a The Trade Desk, a reavaliação do preço das opções surge como mais uma ferramenta num processo mais amplo de reorganização e recuperação do negócio.

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