A tecnologia server-side ganha terreno na AdTech perante os bloqueios da Apple aos fornecedores de ID

O bloqueio dos fornecedores de resolução de ID por parte da Apple no Safari está a levar a indústria publicitária a repensar a forma como gere a identificação dos utilizadores. Uma das respostas passa por transferir esta infraestrutura para fora do navegador. Neste sentido, a ID5 está a migrar uma parte cada vez maior das suas operações para o ambiente server-side, segundo a Digiday. A empresa não é a única a explorar esta via. Outros players do setor estão a apostar no Trusted Server Framework da IAB Tech Lab, um sistema que permite executar funções publicitárias fora dos navegadores, através de infraestrutura controlada pelos próprios publishers.

Mathieu Roche, CEO da ID5, explica à Digiday que os grandes publishers poderão redirecionar para os seus próprios servidores, em questão de dias, os pedidos de identidade que atualmente são realizados a partir de domínios de terceiros no navegador.

A mudança, contudo, não apresenta as mesmas facilidades para todos. Os publishers de menor dimensão poderão encontrar maiores obstáculos na adoção desta infraestrutura, especialmente aqueles que externalizam as suas operações publicitárias ou não dispõem de equipas internas de engenharia. A estas dificuldades acrescem os custos adicionais associados à sua implementação e manutenção.

As restrições da Apple no iOS 27 afetam os domínios de vários fornecedores de dados e identidade, entre os quais LiveRamp, Permutive, Audigent e ID5. O bloqueio abrange também o Unified ID 2.0, alargando o seu impacto às soluções de identificação utilizadas pela indústria publicitária.

Perante este cenário, alguns fornecedores optaram por disponibilizar novos domínios que não constam da lista de bloqueio da Apple. É o caso da Permutive, que lançou novos endereços para manter os seus serviços operacionais. No entanto, esta estratégia surge como uma resposta temporária face à possibilidade de transferir a infraestrutura para o ambiente server-side, uma alternativa que permitiria reduzir a dependência dos domínios de terceiros no navegador.

A evolução deste movimento dependerá, em grande medida, da resposta da Apple. A questão é saber se a empresa considerará a utilização de infraestrutura server-side compatível com os seus objetivos de privacidade ou se a interpretará como uma tentativa de contornar as suas restrições. Neste último cenário, poderão repetir-se os bloqueios e as respostas técnicas entre a Apple e os fornecedores afetados.

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