Disney+, Netflix e Prime Video reforçam as suas parcerias com broadcasters europeus

As alianças de conteúdos entre as grandes plataformas internacionais de streaming e os broadcasters europeus continuam a ganhar força. Nos últimos quinze meses, empresas como Disney+, Netflix e Prime Video fecharam acordos com televisões de diferentes mercados para incorporar parte da sua programação nos respetivos serviços.

A última semana trouxe dois novos movimentos. Por um lado, a Netflix chegou a acordo com a Atresmedia para incorporar na sua plataforma em Espanha uma seleção de programas diários da empresa. Entre os títulos incluídos estão El Hormiguero, El Intermedio, Pasapalabra, Sueños de libertad e Veneno, que ficarão disponíveis na Netflix depois da sua transmissão nos canais lineares da Atresmedia.

Por outro lado, a Disney+ estabeleceu uma nova parceria com a francesa M6. Neste caso, quatro programas do canal ficarão disponíveis na plataforma sete dias antes da sua transmissão na televisão linear.

Ambos os acordos juntam-se a uma lista crescente de operações iniciada no verão de 2025, quando TF1 e Netflix anunciaram uma parceria através da qual os canais em direto e os conteúdos on-demand do serviço TF1+ estarão disponíveis para os subscritores da Netflix em França a partir do verão de 2026.

A lógica por detrás destes acordos é semelhante: as plataformas globais reforçam a sua oferta com conteúdos locais, enquanto os broadcasters ampliam a distribuição e o alcance das suas produções junto de audiências que, eventualmente, não consumiriam os seus próprios serviços.

Das 16 alianças contabilizadas desde junho de 2025, a Disney+ concentra metade. A plataforma da Disney fechou oito acordos, face aos quatro registados pela Prime Video e aos três da Netflix. A HBO Max completa a lista com uma operação envolvendo diferentes broadcasters e operadores europeus.

A Disney+ estabeleceu acordos com a ITV no Reino Unido, SIC em Portugal, ZDF na Alemanha, Áustria e Suíça, Atresmedia e RTVE em Espanha, RAI em Itália e L'Équipe e M6 em França.

A Prime Video, por sua vez, mantém quatro operações com a France Télévisions, RTL, RTVE e M6, mas não anunciou novas parcerias deste tipo desde outubro de 2025. A Netflix, que deu início a esta nova fase de acordos com a TF1, soma apenas três. À parceria inicial com o broadcaster francês juntaram-se posteriormente os acordos com a RTVE e a Atresmedia em Espanha, ambos de âmbito mais limitado e centrados em conteúdos específicos.

Existe também uma clara concentração geográfica. França e Espanha representam dez das 16 operações analisadas, cinco em cada mercado, deixando ainda margem para uma maior atividade em países como o Reino Unido, Alemanha, Itália ou nos mercados nórdicos.

Os acordos não são exclusivos

A evolução destas alianças também está a contrariar a ideia de que cada plataforma global escolheria um único parceiro audiovisual em cada mercado. Os acordos mostram precisamente o contrário. Tanto os streamers como os broadcasters estão a trabalhar simultaneamente com diferentes parceiros.

Espanha é um dos exemplos mais claros. Netflix e Disney+ estabeleceram acordos tanto com a RTVE como com a Atresmedia, enquanto a RTVE mantém ainda outra parceria com a Prime Video.

Este modelo permite às televisões ampliar a distribuição dos seus conteúdos sem ficarem vinculadas exclusivamente a uma plataforma, enquanto os grandes serviços SVOD constroem catálogos locais recorrendo a vários fornecedores.

Do catálogo completo às seleções de conteúdos

Também não existe ainda um modelo único para estruturar estas alianças. Alguns dos primeiros acordos foram particularmente abrangentes. A parceria entre a TF1 e a Netflix, por exemplo, prevê que a oferta completa de canais em direto e conteúdos on-demand da TF1+ fique disponível na Netflix.

No entanto, as operações mais recentes tendem a centrar-se em seleções específicas de programas, em vez de transferirem o serviço completo de um broadcaster para outra plataforma.

Os modelos também variam em função das janelas de distribuição. Em alguns casos, são incorporados conteúdos de arquivo; noutros, programas diários ou produções recentes. Algumas alianças permitem aceder aos episódios depois da sua transmissão linear, enquanto outras oferecem ao streamer uma janela antecipada.

O recente acordo entre a Disney+ e a M6 segue precisamente este último modelo, com conteúdos disponíveis em streaming antes de chegarem à televisão tradicional. No caso da Atresmedia e da Netflix, pelo contrário, os programas chegam à plataforma depois de serem transmitidos nos canais lineares.

Existem ainda modelos diferentes, como o acordo entre a ITV e a Disney+, baseado numa troca bidirecional de conteúdos entre ambas as plataformas, um modelo que, até agora, não foi replicado de forma generalizada.

A sucessão de acordos aponta, assim, para um cenário de distribuição cada vez mais flexível, no qual as fronteiras entre SVOD, serviços de streaming de broadcasters e televisão linear começam a esbater-se.

Por enquanto, contudo, a diversidade de modelos utilizados indica que o mercado continua numa fase de experimentação e que ainda não existe uma estrutura dominante para este tipo de alianças.

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