A Alibaba ajusta a sua estratégia para se adaptar à era da Agentic AI

A Alibaba está a adaptar o seu modelo de negócio para se alinhar com a era da Agentic AI. No seu mais recente relatório trimestral, a empresa reportou receitas abaixo das expectativas dos analistas. No trimestre fiscal encerrado a 31 de dezembro de 2025, a Alibaba registou 284,8 mil milhões de yuan (cerca de 41,4 mil milhões de dólares), face aos 290,7 mil milhões previstos, segundo a CNBC. Além disso, o resultado operacional caiu 74% em termos homólogos, sobretudo devido ao aumento do investimento em comércio rápido, experiência do utilizador e tecnologia, indicou a empresa em comunicado.

Embora a Alibaba tenha começado como um marketplace B2B, o seu negócio abrange hoje desde aplicações de consumo como Taobao e Tmall até cloud computing e agentes de inteligência artificial para empresas. A empresa está a apostar fortemente nestas últimas áreas para impulsionar o crescimento futuro, antecipando que as divisões de IA e cloud possam gerar 100 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos. Para concretizar este objetivo, a Alibaba está a reforçar o investimento em infraestruturas de IA, com um plano de 53 mil milhões de dólares ao longo dos próximos três anos.

No início desta semana, segundo a Digiday, a Alibaba reorganizou as suas operações de inteligência artificial sob uma nova unidade denominada Alibaba Token Hub. Esta reestruturação surgiu pouco depois de Junyang Lin, um dos seus investigadores mais destacados, ter abandonado um dos principais projetos da empresa, levantando dúvidas quanto ao impacto destas mudanças na estratégia de IA. Durante a conferência de resultados, o CEO da Alibaba, Eddie Wu, explicou que, ao contrário dos primeiros modelos de IA — baseados em dados estáticos —, os sistemas atuais necessitam de interagir com fluxos de dados em tempo real para atuar de forma mais autónoma, executando transações com mínima intervenção humana. Segundo o executivo, o fator crítico reside na integração entre aplicações e modelos de linguagem: “Creio que o aspeto mais distintivo e relevante da era da IA com agentes é a necessidade de uma integração estreita entre a aplicação e o modelo. Essa é a prioridade fundamental”, afirmou.

A estratégia da Alibaba assenta nos seus modelos de IA Qwen, lançados em 2023. Estes modelos foram concebidos para integração em aplicações comerciais como Taobao e Tmall, permitindo a execução de tarefas como compras e pagamentos através de chatbots. Paralelamente, a empresa está a investir na sua adoção, tendo despendido 431 milhões de dólares durante o período do Ano Novo Lunar para atrair utilizadores para o Qwen, de acordo com a Reuters. Ao contrário de empresas como a OpenAI e a Google, a Alibaba beneficia de vantagens estruturais decorrentes do seu ecossistema, que inclui serviços como Taobao, Tmall, Alipay, Cainiao, Amap e Fliggy. Este ecossistema permite ao Qwen integrar-se transversalmente, possibilitando que os consumidores descubram produtos, efetuem compras, realizem pagamentos e recebam encomendas através de um único chatbot. Ainda assim, transformar sistemas de IA em agentes de compra fiáveis continua a ser um desafio técnico significativo, uma vez que estes assistentes exigem grandes volumes de dados estruturados — não apenas para recomendações, mas também para assegurar a correta execução de transações —, como sublinhou Wu.

Os catálogos de e-commerce, os preços e os níveis de inventário estão em constante mutação, e dados inconsistentes podem levar a IA a recomendar produtos incorretos ou apresentar preços desatualizados. Segundo a The Information, a OpenAI tem enfrentado dificuldades na implementação de funcionalidades de pagamento no ChatGPT precisamente devido à escassez de dados estruturados de retalhistas. Por sua vez, o analista independente Juozas Kaziukėnas destacou, em declarações à Digiday, que a Alibaba detém uma vantagem competitiva, uma vez que o Qwen se integra diretamente com as empresas do seu ecossistema, sem necessidade de parceiros externos, tendo optado por uma abordagem de lançamento agressiva em detrimento de um rollout gradual — estratégia que a distingue da Google e da OpenAI.

Por outro lado, as aplicações empresariais da Alibaba deverão igualmente desempenhar um papel central na sua evolução em IA, nomeadamente a nova plataforma Wukong. Ainda que seja uma das pioneiras neste domínio, a empresa não está isolada. O OpenClaw, um assistente digital pessoal desenvolvido por um programador austríaco, tem vindo a ganhar popularidade na China, com o apoio de gigantes como a Baidu e a Tencent, em linha com a estratégia do governo chinês para impulsionar a adoção de IA na economia.

No que diz respeito à Alibaba, a saída de Junyang Lin, uma das figuras-chave do Qwen, gerou incerteza quanto à sua liderança no panorama da IA na China. Ainda assim, se o Qwen conseguir melhorar de forma consistente os produtos e serviços da empresa, poderá reforçar a sua posição de mercado e o desempenho financeiro no longo prazo, afirmou Chelsey Tam, analista sénior de ações na Morningstar.

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