Cloudflare cria um painel para saber quando a IA cita, menciona ou recomenda uma marca
A Cloudflare apresentou uma nova ferramenta destinada a responder a uma das principais lacunas das marcas na era dos motores de pesquisa baseados em inteligência artificial: saber quando e de que forma assistentes como o ChatGPT ou o Gemini citam, mencionam ou recomendam os seus conteúdos. O AEO Visibility Dashboard, inicialmente disponível em acesso antecipado, integra a Answer Engine Optimization Suite da Cloudflare e constitui a segunda ferramenta deste pacote. O objetivo é disponibilizar aos proprietários de websites informação baseada em first-party data sobre a forma como as plataformas de IA utilizam os seus conteúdos.
A empresa já tinha lançado uma primeira ferramenta, Agent Readiness, concebida para verificar se os crawlers utilizados pelos sistemas de IA conseguem aceder e ler corretamente uma página web. O novo dashboard concentra-se na fase seguinte: perceber o que acontece depois de um agente rastrear o conteúdo. Segundo a Cloudflare, esta informação permite identificar quais as plataformas que estão a tentar aceder aos conteúdos de um website e de que forma os utilizam posteriormente. A empresa considera que esta abordagem pode oferecer às marcas uma visão mais precisa do que as medições baseadas exclusivamente em consultas simuladas a assistentes de IA.
O AEO Visibility Dashboard analisa a presença das marcas através de quatro indicadores principais. O primeiro é o Citation Rate, que mede a frequência com que as plataformas utilizam os conteúdos de um website como fonte nas suas respostas. O segundo, Mention Rate, regista as ocasiões em que uma marca é mencionada numa resposta gerada por IA. A terceira métrica, Prominence, analisa o nível de destaque atribuído a uma marca e a posição que ocupa dentro da resposta. Por último, o Share of Voice permite comparar a visibilidade de uma empresa com a dos seus concorrentes em pesquisas relevantes e acompanhar a evolução dessa quota ao longo do tempo.
A combinação destes indicadores pretende oferecer uma alternativa às métricas tradicionais de posicionamento nos motores de pesquisa. Quando um utilizador faz uma pesquisa através de um assistente de IA, as marcas não dispõem de um equivalente direto ao ranking dos resultados do Google que lhes permita saber se apareceram na resposta e com que nível de relevância.
First-party data em vez de pesquisas simuladas
A proposta da Cloudflare diferencia-se de muitas das ferramentas de AEO atualmente existentes, que recorrem a prompts de teste para consultar diferentes modelos de IA e analisar posteriormente as respostas. Este método pode apresentar problemas de consistência, uma vez que os modelos de inteligência artificial nem sempre produzem a mesma resposta perante uma determinada consulta e estão em constante evolução. As análises baseadas em pesquisas simuladas podem, por isso, perder precisão à medida que os sistemas subjacentes são alterados.
A Cloudflare aposta, em contrapartida, na sua posição enquanto infraestrutura da internet. A empresa afirma que a sua rede disponibiliza dados provenientes de uma parte significativa dos websites existentes a nível mundial, permitindo-lhe observar diretamente a atividade dos crawlers de IA, bem como determinados dados de acesso e referência. Para Alex Stringer, diretor de Open Attribution e responsável técnico da SPUR Coalition, esta posição pode representar uma vantagem para a Cloudflare face a algumas das soluções atualmente disponíveis, uma vez que trabalha com dados provenientes da atividade real dos agentes, em vez de depender exclusivamente de testes controlados.
O novo Dashboard não pretende, pelo menos nesta fase inicial, transformar-se num guia completo para melhorar o posicionamento de uma marca nas respostas de IA. A ferramenta regista e apresenta a atividade dos agentes, mas não fornece recomendações específicas sobre as alterações que um website deveria implementar para melhorar o seu AEO. Além disso, o serviço está limitado aos clientes da Cloudflare. A empresa prevê disponibilizá-lo gratuitamente durante o lançamento, embora esta política possa vir a ser alterada posteriormente.
Por esse motivo, a ferramenta surge sobretudo como um complemento, e não como um substituto, das plataformas especializadas em AEO. Algumas destas empresas já utilizam dados provenientes da [Cloudflare] no desenvolvimento dos seus próprios produtos, o que demonstra a crescente interligação entre as diferentes soluções que estão a surgir em torno da visibilidade nos motores de pesquisa generativos.
Cloudflare reforça o seu papel perante os crawlers de IA
O lançamento acontece em paralelo com uma estratégia mais abrangente da Cloudflare para aumentar o controlo dos proprietários de websites sobre o acesso das plataformas de inteligência artificial aos seus conteúdos. Em julho, a empresa começou a configurar, por defeito, para determinados clientes novos e gratuitos, o bloqueio de crawlers que recolhem conteúdos para indexação nos motores de pesquisa e treino de modelos de IA. A medida aumentou a pressão sobre as grandes plataformas tecnológicas para melhorarem a relação com os proprietários dos conteúdos que utilizam.
O AEO Visibility Dashboard segue essa mesma linha, ao oferecer às empresas maior transparência sobre o que acontece aos seus conteúdos depois de estes serem rastreados pelos sistemas de IA. No entanto, ter acesso a mais informação não resolve totalmente o debate sobre o valor que os criadores e proprietários de conteúdos recebem quando os seus materiais são utilizados pelos assistentes de inteligência artificial. O passo seguinte, segundo algumas vozes críticas do setor, deverá passar pela criação de mecanismos de colaboração e negociação entre publishers e plataformas de IA.
A nova ferramenta da Cloudflare representa, assim, mais um passo rumo a uma maior transparência num ambiente em que a visibilidade de uma marca já não depende apenas da sua presença numa página de resultados, mas também da capacidade de ser selecionada, citada e recomendada pelos sistemas que estão a redefinir a pesquisa na internet.

