O áudio in-store ganha relevância como canal estratégico no âmbito do retail media
Nos últimos anos, o retail media consolidou-se como um dos canais publicitários com maior crescimento, com os retailers a monetizarem ativos como websites, apps ou ecrãs em loja. No entanto, existe um canal que permaneceu subaproveitado: o áudio in-store. Tal como refere Silke Zetzsche, VP of Global Commercial Partnerships na AudioStack, num artigo publicado pela Retail TouchPoints, este formato representa um verdadeiro “ponto cego” dentro do ecossistema de retail media. Apesar do forte crescimento do investimento publicitário no setor, menos de 1% do orçamento é atualmente canalizado para áudio em loja.
Durante anos, este canal não conseguiu afirmar-se como um meio moderno dentro do ecossistema retail. O seu desenvolvimento esteve condicionado por infraestruturas obsoletas: sistemas dependentes de hardware, fornecedores externos de música, atualizações manuais e playlists estáticas. Nesse contexto, o áudio era encarado como um elemento ambiental, e não como um canal de personalização, monetização ou ativação publicitária. Em paralelo, outros formatos em loja evoluíram rapidamente — ecrãs digitalizados, compra programática e criatividade dinâmica baseada em dados.
O desafio nunca foi a falta de valor do áudio, mas sim a ausência de ferramentas capazes de o escalar ao ritmo do retail media.
Atualmente, os retailers gerem de forma integrada os seus ecossistemas de media — controlando localização, conteúdo, dados e monetização. Neste cenário, o áudio in-store surge como a próxima grande oportunidade para gerar valor adicional. A transformação que o permite é simples, mas estrutural: a passagem de um modelo baseado em hardware para um modelo software-driven, que introduz velocidade, flexibilidade e escalabilidade.
Três oportunidades imediatas para os retailers
1. Áudio personalizado para atrair clientes às lojas
Os retailers são simultaneamente operadores de media e grandes anunciantes. Um dos seus principais desafios é atrair clientes para a loja certa, no momento certo, com mensagens relevantes. O áudio personalizado surge como um canal de elevado desempenho, permitindo criar conteúdos localizados e adaptados a variáveis como localização, promoções, inventário, idioma, contexto cultural ou momento do dia.
Este conteúdo pode ser distribuído em múltiplos canais — áudio digital, CTV, redes sociais, rádio ou televisão — com a vantagem de poder ser atualizado em tempo real. A personalização deixa de ser um extra e passa a ser um motor de tráfego, engagement e performance local.
2. Experiências de áudio programáveis em loja
Dentro da loja, o áudio evolui de música ambiente para uma camada programável que melhora a experiência do consumidor. Cada espaço pode ter mensagens específicas — desde promoções temporais a campanhas sazonais ou comunicações urgentes. O áudio torna-se, assim, um canal ativo que contribui tanto para a experiência do cliente como para objetivos comerciais.
3. Monetização do áudio como canal publicitário
Historicamente, o áudio em loja era difícil de monetizar devido à falta de escalabilidade na produção criativa. A automatização veio eliminar esse bloqueio. Hoje, os anúncios podem ser produzidos rapidamente, reduzindo custos e barreiras de entrada para anunciantes, permitindo integrar mais marcas e operar o áudio como qualquer outro canal de retail media: planeável, ativável e escalável.
Ao contrário de outros formatos focados em alcance, o áudio in-store atua num momento crítico: quando o consumidor já está em modo de compra. Com a automatização a remover limitações operacionais, o áudio deixa de ser um elemento passivo e passa a ser um canal estratégico, com impacto direto e mensurável.
Como conclui Zetzsche, quando o áudio é gerido via software, desbloqueia três ganhos essenciais: escalabilidade criativa, maior relevância das mensagens e viabilidade de monetização. “Os retailers que modernizarem o áudio in-store não só melhorarão a experiência do cliente, como irão desbloquear uma nova fonte de valor no retail media. O áudio sempre funcionou — agora está finalmente pronto para escalar.”

