A DecryptAds identifica 2.116 sites de receitas gerados por IA que rentabilizam através de publicidade programática

A empresa de inteligência sobre a cadeia de fornecimento publicitária DecryptAds identificou mais de 2.110 sites de receitas gerados por inteligência artificial que rentabilizam os seus conteúdos através de publicidade programática. Segundo a investigação, estas páginas concentram múltiplos espaços publicitários em conteúdos de baixa qualidade e exibem anúncios de grandes marcas, incluindo empresas da lista Fortune 500. O estudo indica ainda que os operadores destes sites gerem outras páginas financiadas por publicidade, como agregadores de notícias políticas e fóruns sobre automóveis, anime e videojogos.

A investigação revela que alguns destes sites seguem tendências virais de receitas ou copiam conteúdos de outras páginas de culinária. Identifica também receitas com combinações pouco habituais e perfis de autores fictícios, cujas imagens incluem avatares gerados por IA, fotografias de bancos de imagens, imagens de cozinheiros reais e retratos de celebridades manipulados. Além disso, estas páginas raramente esclarecem que os seus autores não são pessoas reais.

Esta prática está relacionada com as diretrizes da Google Search, que consideram enganosa a criação de perfis fictícios com nomes inventados, imagens geradas por IA ou credenciais falsas para apresentar conteúdos como se fossem da autoria de especialistas humanos.

No entanto, uma fonte de um SSP consultada pela AdExchanger salienta que a utilização de autores gerados por IA não significa necessariamente que um site não tenha valor para os anunciantes ou utilizadores. Recorda também que as diretrizes da Google Search não devem ser confundidas com as recomendações da Google Ads.

Uma cadeia de fornecimento difícil de rastrear

Para elaborar o relatório, a DecryptAds analisou as cadeias de fornecimento de cerca de 300 empresas de AdTech registadas em jurisdições que considera de risco, devido à sua relação com o cibercrime, a fraude publicitária ou a ligações geopolíticas aos Estados Unidos.

A investigação combinou a análise de ficheiros ads.txt, registos sellers.json, dados DNS, certificados SSL e informações do Google Analytics. A partir de palavras-chave relacionadas com alimentação, identificou inicialmente 400 sites suspeitos e verificou manualmente se utilizavam avatares gerados por IA e ocultavam a identidade dos seus autores. Posteriormente, recorreu a mais de 190 indicadores técnicos para localizar outras páginas geridas pelos mesmos proprietários, reunindo um total de 2.116 domínios.

O relatório associa a HBAgency à monetização de 1.631 destes sites. A empresa contestou algumas das ligações identificadas e afirmou que submete os seus publishers a controlos de prevenção da fraude, monitorização de tráfego inválido e proteção contra anúncios maliciosos. A AdExchanger salienta que não é claro se as divergências resultam da metodologia da DecryptAds ou dos processos de verificação da HBAgency.

Zach Edwards, cofundador e responsável de produto e investigação da DecryptAds, reconheceu, em declarações citadas pela AdExchanger, que a complexidade das relações entre intermediários dificulta a identificação precisa das ligações comerciais.

A MonetizeMore, que a DecryptAds associa a 11 dos sites analisados, afirmou que não estava a disponibilizar ativamente procura própria nem dos seus parceiros nessas páginas. A empresa iniciou também uma revisão mais abrangente do seu inventário e declarou que deixaria de rentabilizar os sites que não cumprissem os seus padrões.

Por sua vez, a Ezoic contestou que a utilização de inteligência artificial para criar perfis de autores determine, por si só, a qualidade de um conteúdo. A empresa defendeu que devem ser avaliados fatores como a utilidade da página, a audiência e a interação dos utilizadores. Indicou ainda que combina controlos automatizados com revisões humanas.

A Culture G e a Between Digital não responderam às questões da AdExchanger. A Mintegral negou ter apresentado anúncios diretamente num dos sites mencionados e rejeitou a utilização de identidades ou credenciais fictícias para enganar utilizadores ou anunciantes.

Possíveis riscos de cibersegurança

A DecryptAds alerta para possíveis riscos relacionados com a recolha de dados dos utilizadores e a exposição a publicidade maliciosa. No entanto, Zach Edwards afirmou que a investigação não encontrou provas de crimes cometidos pelos sites identificados ou pelos seus parceiros publicitários.

O relatório aponta também para as limitações do ads.txt e do sellers.json, duas ferramentas utilizadas para identificar as relações entre publishers e fornecedores de publicidade. Embora contribuam para a transparência da cadeia de fornecimento, podem conter erros e nem sempre são atualizadas regularmente.

Para a DecryptAds, a presença deste tipo de sites representa um desafio para a publicidade programática e coloca em destaque os mecanismos de controlo utilizados para determinar que páginas podem aceder à cadeia de fornecimento publicitária.

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