A Dentsu reorganiza a sua estrutura para recuperar competitividade internacional
A Dentsu abre um novo capítulo na sua liderança global num momento particularmente sensível para a indústria dos grandes holdings publicitários. Enquanto o mercado acompanha os movimentos estratégicos de grupos como a Publicis Groupe, a Omnicom e a WPP, o grupo japonês aposta numa reorganização interna que poderá redefinir o seu posicionamento internacional.
Após apresentar os resultados anuais de 2025, a Dentsu anunciou a saída do CEO global, Hiro Igarashi, e a nomeação de Takeshi Sano a partir do final de Março. Sano não é um elemento externo: integra a companhia desde 1992, era CEO da Dentsu Japão — a divisão mais bem-sucedida do grupo — e desempenhava funções de COO global adjunto.
Mais controlo directo e foco nos EUA
Uma das primeiras decisões estruturais de Sano será eliminar os cargos de COO global e de presidente, fazendo com que os CEOs regionais passem a reportar directamente ao CEO global. A medida remove uma camada hierárquica, simplifica a estrutura e procura acelerar a tomada de decisão.
Sano indicou que irá concentrar esforços nos mercados com maior potencial de crescimento, com especial enfoque nos Estados Unidos, um dos territórios mais relevantes para o grupo a par do Japão. O objectivo passa por reforçar relações com clientes multinacionais e trabalhar de forma mais próxima com as lideranças regionais.
O seu discurso estratégico assenta em três eixos: simplificação operacional, melhoria da execução e transformação impulsionada por inteligência artificial. A ambição é preparar o negócio para um crescimento que comece e termine nos clientes, competindo com base na agilidade, na colaboração e nos resultados, suportado por um ecossistema tecnológico centrado em IA e ancorado em parcerias com grandes empresas tecnológicas.
Internamente, o perfil de Sano também marca diferenças face ao seu antecessor: é bilingue, tem experiência no negócio internacional e, segundo fontes citadas pela Digiday, adopta um estilo mais directo e mais próximo das equipas regionais — combinação considerada crítica para reforçar a operação fora do Japão.
Importa ainda sublinhar que a Dentsu não dispõe de uma marca criativa global de peso comparável às de outros holdings internacionais, o que limita a sua proposta full-service face a alguns concorrentes. Em paralelo, é expectável uma eventual reactivação da actividade de M&A, depois de tentativas sem sucesso nos últimos dois anos.
Em síntese, a Dentsu entra numa fase de simplificação estrutural, maior agilidade decisória e aposta tecnológica, com a intenção clara de recuperar dinamismo fora do Japão e reposicionar-se no ecossistema global das agências.

