O YouTube ganha peso em GEO e já surge em 29,5% dos Google AI Overviews
A corrida pela visibilidade de marca em respostas de chatbots e resumos generativos — aquilo que o sector começa a agrupar sob a designação de GEO (Generative Engine Optimization) — está a evoluir. Até agora, a maioria das estratégias centrava-se em activos textuais: cobertura em meios, copy de website ou reviews. Nas últimas semanas, porém, as equipas de marketing começaram a pivotar para o vídeo — ou, mais concretamente, para as transcrições de vídeo.
O motivo é quantitativo. Segundo dados da BrightEdge, o YouTube tornou-se uma das principais fontes utilizadas pelos modelos e já surge em 29,5% dos AI Overviews da Google, posicionando-se como o domínio mais citado neste formato. Em paralelo, profissionais de agências indicam que o YouTube está a ultrapassar o Reddit em termos de menções e citações nestes ambientes, obrigando a rever prioridades: “estar bem posicionado no YouTube” começa a ser tão crítico como “estar bem referenciado” em comunidades textuais.
A explicação é técnica e operacional. O YouTube é altamente “machine-readable”: transcrições, metadados, capítulos e descrições facilitam a extração, síntese e citação de informação por sistemas generativos, com menor fricção e menor risco percebido face a fontes mais caóticas ou menos estruturadas. Em termos práticos, o YouTube deixa de ser apenas um canal social e passa a funcionar como activo de descoberta no contexto da pesquisa assistida por IA.
Esta mudança surge num momento em que o investimento — e o foco corporativo — na plataforma já vinha a crescer. Em 2025, o YouTube ultrapassou os 60 mil milhões de dólares em receitas (publicidade e subscrições), reforçando o seu estatuto como infraestrutura central para marcas e criadores.
O que podem fazer as marcas na prática
As recomendações que agências e especialistas estão a partilhar recuperam boas práticas orgânicas clássicas do YouTube, mas com uma nuance adicional: é necessário pensar em como um LLM irá “ler” esse conteúdo. Formatos longos, cadência regular de publicação e etiquetagem rigorosa continuam a favorecer o algoritmo de recomendação — e simultaneamente alimentam sistemas de extração semântica suportados por transcrições.
Análises citadas pela Digiday apontam ainda padrões específicos: maior probabilidade de citação em vídeos com 10 a 20 minutos, títulos entre 8 e 12 palavras e, em alguns casos, conteúdos com menos de 100 mil visualizações, desde que apresentem elevada densidade informativa e respondam de forma directa a perguntas frequentes dos utilizadores.
Para marcas sem presença consolidada, a recomendação passa por construir “cobertura temática” no YouTube: publicar múltiplos vídeos que abordem variantes e casos de uso de um produto ou categoria, aumentando os pontos de ancoragem que o modelo pode recuperar e citar. Dado que o sistema “ingere” texto, o foco desloca-se para guiões, descrições, capítulos e metadados — o guião passa, na prática, a funcionar como peça de copy orientada para pesquisa.
O papel dos criadores na equação GEO
Outra dimensão relevante é a intersecção entre GEO e creator marketing. Especialistas recordam que os crawlers de LLM tendem a ignorar unidades de paid media standard, mas o discurso orgânico presente numa transcrição pode tornar-se fonte citada. Isto abre uma hipótese operacional: uma colaboração com um criador — mesmo quando patrocinada — pode actuar como activo de visibilidade “AI-first”, desde que o conteúdo mantenha uma narrativa informativa e identifique claramente produto e marca no guião.
Para as equipas de marca, a conclusão é clara: o GEO deixa de ser uma discussão exclusivamente textual e passa a integrar o YouTube como eixo estrutural. Optimizar a presença na plataforma já não é apenas uma decisão de conteúdos ou social media; é uma alavanca estratégica para influenciar a forma como os modelos descrevem, comparam e recomendam marcas no novo paradigma de pesquisa generativa.

