A GameStop poderá comprar a eBay para a transformar num rival direto da Amazon

A cadeia de videojogos GameStop apresentou uma oferta para adquirir a eBay por aproximadamente 55,5 mil milhões de dólares, numa operação que marcaria uma nova etapa na transformação da empresa liderada por Ryan Cohen.

Segundo avançou o The Wall Street Journal, Cohen garantiu que a GameStop já construiu uma participação próxima de 5% na eBay e conta com um compromisso de financiamento até 20 mil milhões de dólares por parte do TD Bank. O executivo alertou ainda que, caso a proposta não seja bem recebida, está disposto a avançar para uma batalha acionista. “Estou a pensar transformar a eBay em algo que valha centenas de milhares de milhões de dólares. Pode tornar-se um concorrente legítimo da Amazon”, afirmou Cohen ao jornal norte-americano.

A proposta surge numa altura em que a GameStop procura deixar para trás a imagem de retalhista tradicional afetado pela quebra nas vendas físicas de videojogos. Entre 2018 e 2019, as vendas líquidas da empresa caíram 21% e a companhia registou prejuízos de 464,4 milhões de dólares.

Ryan Cohen entrou no conselho de administração da GameStop em 2020 e, em 2023, foi nomeado CEO, depois de se tornar uma figura central do fenómeno das “meme stocks” impulsionado por utilizadores do Reddit. Sob a sua liderança, a empresa avançou com um forte corte de custos, melhorou a rentabilidade e expandiu o negócio de colecionáveis. De acordo com a CNBC, a GameStop conseguiu aumentar a margem bruta em sete pontos percentuais e alcançou lucros líquidos de 77,1 milhões de dólares. Além disso, a empresa acumulou mais de 9 mil milhões de dólares em caixa, recursos que planeia utilizar para ajudar a financiar a operação sobre a eBay.

A aposta no negócio dos colecionáveis

Um dos principais pontos de ligação entre as duas empresas é precisamente o mercado de colecionáveis. Desde 2019, as vendas desta divisão na GameStop cresceram de 737,5 milhões de dólares para quase 1,1 mil milhões de dólares, representando atualmente cerca de um terço do negócio total da empresa. A companhia reforçou a sua presença em categorias como cartas Pokémon, cromos de basebol, Magic: The Gathering e figuras de coleção, além de organizar torneios e eventos em lojas físicas.

Ryan Cohen considera que a aquisição da eBay poderá potenciar ainda mais essa estratégia. Segundo explicou ao The Wall Street Journal, as lojas da GameStop poderiam funcionar como pontos de autenticação e recolha para produtos vendidos através da eBay. Por sua vez, Jeremy Allen, Chief Collectible Officer da Oh Yaas, defendeu que essa integração poderia ajudar a reduzir a circulação de artigos falsificados e aumentar o tráfego nas lojas físicas da GameStop.

Vendedores questionam a eBay

O possível acordo surge também num contexto de crescente descontentamento dos vendedores relativamente ao funcionamento da eBay face a concorrentes como a Amazon, a Walmart ou a Target. Owen Carr, Chief Merchandising Officer da Spreetail, afirmou que o tráfego nas publicações da eBay caiu nos últimos anos e que a plataforma se tornou um marketplace mais orientado para nichos como os colecionáveis do que para compras do dia a dia.

“Houve uma altura em que a eBay era o nosso canal mais importante. Hoje há dias em que nos perguntamos se continua sequer entre os nossos cinco ou seis principais canais”, afirmou.

Dúvidas sobre a viabilidade do acordo

Apesar do impacto da proposta, analistas do setor continuam a levantar dúvidas sobre a viabilidade financeira e estratégica da operação. Neil Saunders, diretor-geral e analista da GlobalData Retail, classificou a iniciativa como “ousada”, mas considerou que lhe falta uma lógica clara e um plano de financiamento sólido.

A GameStop estima que uma eventual integração permitiria cortar cerca de 2 mil milhões de dólares em despesas operacionais e de marketing. No entanto, Saunders alertou que reduzir o investimento publicitário poderá afetar ainda mais a atividade dos utilizadores na eBay. O analista questionou também a possibilidade de uma empresa combinada conseguir competir verdadeiramente com gigantes como a Amazon ou a Walmart em logística e capacidade operacional.

“Existem oportunidades para que a eBay se torne maior e mais inovadora, mas ainda não vimos uma estratégia clara sobre como isso poderá ser alcançado”, concluiu.

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