A RTL Group e a ProSiebenSat.1 Media priorizam a rentabilidade enquanto a publicidade na televisão linear continua a cair
Os resultados da RTL Group e da ProSiebenSat.1 oferecem uma fotografia bastante clara do momento que a televisão comercial atravessa na Europa. Ambas as empresas apresentaram os seus resultados do primeiro trimestre com uma combinação semelhante de sinais: pressão contínua sobre as receitas publicitárias da televisão linear, crescimento do streaming e do negócio digital, e uma atenção cada vez maior à rentabilidade e ao controlo de custos.
No caso da RTL Group, as receitas totais cresceram 2,5% em termos orgânicos, enquanto a ProSiebenSat.1 registou uma queda de 3%. Ainda assim, em ambos os grupos, a leitura mais positiva surgiu do lado da rentabilidade. A RTL Group destacou que a sua divisão de streaming alcançou o primeiro trimestre lucrativo, enquanto a ProSiebenSat.1 Media melhorou o EBITDA em 50 milhões de euros graças ao foco na eficiência e na gestão de custos.
Para a RTL Group, o streaming foi o principal motor do trimestre. As receitas desta divisão cresceram 27% em termos homólogos, impulsionadas tanto pelo aumento dos subscritores pagos, que subiram 18,8% para 8,4 milhões, como pelo avanço da publicidade digital. No total, as receitas publicitárias digitais do grupo cresceram 14,6%, atingindo os 118 milhões de euros. O novo CEO, Clément Schwebig, garantiu ainda que a empresa mantém a previsão de que os seus serviços de streaming gerem um lucro operacional entre 25 e 50 milhões de euros ao longo do ano.
A ProSiebenSat.1 Media, por sua vez, continuou também a registar tração na componente digital do negócio. As receitas publicitárias da categoria “digital & smart” cresceram 10% em comparação com o período homólogo, impulsionadas pelo bom desempenho da Joyn. Dentro da plataforma, as receitas publicitárias aumentaram 14%, enquanto as receitas provenientes de subscrições subiram 19%. A empresa atribuiu ainda a melhoria do EBITDA a uma estratégia mais agressiva de simplificação estrutural e desinvestimentos fora do seu foco principal.
No entanto, o crescimento digital continua sem conseguir compensar totalmente a queda da televisão linear. Na RTL Group, as receitas publicitárias totais recuaram 3,2%, com uma descida de 6,5% na publicidade de televisão linear. Na ProSiebenSat.1 Media, as receitas publicitárias da divisão de entretenimento caíram 10%, num cenário que a empresa descreveu como reflexo da descida generalizada do investimento em televisão na Alemanha, devido a fatores tanto cíclicos como estruturais.
Embora a ProSiebenSat.1 Media tenha referido que abril apresentou um desempenho melhor do que o primeiro trimestre, a tendência de fundo permanece praticamente inalterada: o streaming e o negócio digital continuam a crescer, mas a quebra do linear continua a pesar mais no resultado total. Os próprios resultados da RTL Group mostram até que ponto essa transição ainda está longe de estar concluída: as suas receitas publicitárias digitais, de 118 milhões de euros, continuam bastante abaixo dos 474 milhões de euros gerados pela televisão linear.
Na televisão comercial europeia, a prioridade já não é apenas crescer, mas fazê-lo com um modelo mais rentável enquanto se gere a deterioração do linear. A RTL Group e a ProSiebenSat.1 Media mostram que o digital e o streaming continuam a avançar, mas também que a substituição de receitas ainda não acontece à velocidade necessária para devolver imediatamente o negócio publicitário a uma trajetória de crescimento estrutural mais confortável.

