A IA está a transformar o M&A em AdTech: do hype à consolidação

O crescimento da inteligência artificial (IA) está a alterar as regras do jogo no mercado de M&A em AdTech. Embora 2025 tenha começado com operações de grande visibilidade — como a dupla aquisição da T-Mobile, com a compra da Vistar Media e da Blis, ou a aquisição da Lotame pela Publicis —, no terceiro trimestre os volumes globais de M&A tinham caído 8% em termos homólogos. Alguns analistas apontam esta desaceleração à volatilidade macroeconómica e ao aumento do desfasamento nas valorizações, levando os compradores a adotar uma abordagem mais estratégica e cirúrgica. A IA tornou-se um requisito quase obrigatório em qualquer transação. Atualmente, uma estratégia de IA bem estruturada e capacidades avançadas de gestão de dados são fatores determinantes para atrair compradores e fundos de private equity. Este contexto tem impulsionado um padrão de aquisições mais pequenas e focadas, centradas em ativos com dados próprios ou infraestruturas capazes de potenciar planeamento e medição orientados por IA. O mercado tem também registado movimentos estratégicos no domínio criativo e das PME, refletindo um cenário em que a IA viabiliza ganhos de eficiência e expansão de margens, enquanto a escala em CTV continua a ser um fator crítico.

No capital de risco, a pressão é igualmente evidente. De acordo com o mais recente Global M&A Report da SI Global, 21% dos ativos B2B apoiados por private equity são considerados “atrasados”, e as refinanciamentos caíram 57% em termos homólogos. Muitos investidores estão a exigir saídas concretas e retornos em caixa, evitando prolongar investimentos em empresas sobrevalorizadas apenas pelo apelo da IA.

O cenário recorda, em certa medida, a bolha dotcom: há hype e expectativas elevadas, mas o mercado está a reorganizar-se de forma natural. Startups de medição ou identidade cuja principal vantagem competitiva seja um modelo de IA genérico tenderão a ser integradas a baixo custo, enquanto empresas com dados únicos, infraestruturas robustas ou posições estratégicas em CTV poderão não só sobreviver, como sair reforçadas.

Como conclui a Digiday, 2025 está a funcionar mais como um filtro do que como uma explosão de hype: as operações que prosperam são aquelas em que a IA já está a transformar resultados financeiros e operacionais, e não apenas apresentações comerciais. Para os investidores, a IA oferece oportunidades reais, mas exige rigor e seletividade num mercado que combina, em igual medida, incerteza e potencial.

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