A Meta testa um novo modelo de suporte às agências baseado num canal partilhado e em especialistas rotativos
A Meta está a apresentar a agências independentes nos Estados Unidos um novo modelo de colaboração, designado “Agency Growth Collective”, segundo executivos do sector citados pela Digiday. A iniciativa surge como uma forma de apoiar as agências a “ter mais sucesso” dentro da plataforma, num momento em que a tecnológica automatiza um número crescente de tarefas que anteriormente recaíam sobre equipas de agência.
A mudança mais relevante está no modelo de suporte. Até aqui, o habitual era cada agência contar com um representante da Meta como interlocutor principal, com reuniões regulares orientadas para impulsionar resultados e acelerar a adopção de novas funcionalidades. Na fase piloto, esse contacto individual é substituído por um alias gerido por uma equipa, focado em contas seleccionadas e designadas pela Meta, não abrangendo necessariamente a totalidade do negócio que a agência gere na plataforma.
Em contrapartida, as agências participantes passam a ter acesso a um pool rotativo de especialistas da Meta, bem como a formações virtuais ao longo do ano e a ligações pontuais com peritos temáticos para responder a necessidades específicas de performance. Do lado do investimento em social, uma das vantagens apontadas é a continuidade de treino, permitindo transferir aprendizagens para os clientes de forma mais estruturada e sistemática.
Quanto às condições, a Digiday refere que, para já, não foram comunicados requisitos mínimos de investimento, embora essa possibilidade não esteja excluída. A adesão é apresentada como aberta, mas com participação monitorizada: agências que não demonstrem envolvimento significativo poderão ser excluídas do piloto. O enquadramento é deliberadamente controlado e está longe de um regresso ao modelo de “white-glove service” de outros ciclos.
Este movimento não significa que a Meta dependa das agências para sustentar o seu negócio publicitário, mas enquadra-se numa prioridade clara: reforçar receitas para financiar uma roadmap de IA intensiva em capital. Nesta lógica, as agências funcionam como alavanca de acesso a marcas e a orçamentos mais robustos em planos multiproveedor, mesmo num contexto em que a plataforma promove simultaneamente modelos de compra cada vez mais automatizados.
O contexto de IA é igualmente relevante do ponto de vista corporativo e de produto. A Meta acordou a aquisição da startup de agentes Manus, avaliada entre 2.000 e 3.000 milhões de dólares segundo a Reuters, enquanto a Associated Press cita o The Wall Street Journal ao situar o acordo acima dos 2.000 milhões de dólares. Em paralelo, a Search Engine Land avançou que a Meta está a integrar capacidades da Manus no Ads Manager para automatizar tarefas como investigação, reporting e optimização, com sinais de implementação directa no fluxo de trabalho do anunciante.
Para as agências, o “Agency Growth Collective” deixa uma leitura inequívoca: a Meta procura um modelo de suporte escalável — menos relação 1:1, mais especialização e formação contínua — sem abdicar do papel de intermediação que as agências continuam a desempenhar na planificação cross-plataforma, na recomendação estratégica e na tradução de automatizações em decisões de negócio. A Meta, por seu turno, resume a posição com uma mensagem de continuidade: as agências são “parceiros críticos” e a colaboração manter-se-á como vector de crescimento para os anunciantes.

