A Netflix retira-se da disputa pela Warner Bros. Discovery após uma proposta “superior” da Paramount Global
A Netflix decidiu não melhorar a sua oferta pelos ativos de streaming e de estúdio da Warner Bros. Discovery (WBD), depois de a empresa ter considerado “superior” a proposta revista da Paramount Global (Paramount Skydance). Num comunicado assinado pelos co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters, a companhia afirma que igualar o novo preço deixaria de fazer sentido económico e, por isso, opta por não continuar na corrida.
A decisão surge após o anúncio da WBD de que a proposta da Paramount — uma oferta totalmente em numerário de 31 dólares por ação — superava os termos do acordo previamente negociado pela Netflix. Segundo a WBD, o conselho de administração tomou a decisão após consulta a assessores financeiros e jurídicos independentes e notificou formalmente a Netflix, ativando uma janela de quatro dias úteis para igualar os termos.
A Netflix, contudo, escolheu retirar-se. Na sua declaração, Sarandos e Peters afirmam que a transação seria “desejável” apenas “ao preço adequado”, mas não uma prioridade “a qualquer preço”. Agradecem ainda à WBD pela condução de um processo “justo e rigoroso” e sublinham que a proposta apresentada pela Netflix, segundo a empresa, oferecia um caminho claro para aprovação regulatória.
Nos mercados, a reação foi positiva: as ações da Netflix subiram cerca de 10% após se saber que não iria aumentar a oferta. A empresa aproveita o comunicado para reforçar a mensagem aos investidores, afirmando que o seu negócio “é saudável, forte e cresce organicamente”. Antecipou também um investimento de aproximadamente 20 mil milhões de dólares este ano em filmes e séries, bem como a retoma do programa de recompra de ações, em linha com a sua política de alocação de capital.
Com a Netflix fora da disputa, a WBD avança com a proposta da Paramount, que inclui mecanismos adicionais para reforçar a atratividade e reduzir incerteza. Além dos 31 dólares por ação em numerário, o pacote contempla um “ticking fee” diário equivalente a 0,25 dólares por ação por trimestre a partir de 30 de setembro de 2026, bem como uma penalização de 7 mil milhões de dólares que a Paramount pagaria caso a operação não ultrapasse o processo regulatório. O acordo prevê ainda que a Paramount assuma o custo da indemnização de 2,8 mil milhões de dólares que a WBD teria de pagar à Netflix pela cessação do acordo existente.
Durante a apresentação de resultados, o CEO da WBD, David Zaslav, sublinhou que qualquer operação seria avaliada com base em dois critérios: maximizar o valor e minimizar o risco de queda. Acrescentou que o conselho está a liderar um processo de venda “altamente competitivo”.
A Netflix tinha revisto a sua proposta em janeiro, elevando-a para uma oferta integralmente em numerário avaliada em 72 mil milhões de dólares, correspondentes a 27,75 dólares por ação da WBD. Com a subida da contraoferta da Paramount, o espaço para novas escaladas de preço tornou-se mais reduzido, num contexto em que o mercado acompanhou de perto o impacto da disputa nas cotações das empresas envolvidas.
Analistas citados no acompanhamento do processo indicavam que os investidores poderiam mostrar resistência a uma nova subida de preço e alertavam que a retirada da Netflix obrigaria a Paramount a assumir um custo superior ao inicialmente previsto. Ao mesmo tempo, sublinhava-se que, para além do encaixe estratégico, existia um componente reputacional e simbólico associado à marca HBO enquanto ativo icónico no universo da WBD.
Por agora, o capítulo fica encerrado: a Netflix afasta-se, a WBD inclina-se para a proposta “superior” da Paramount e o foco passa para a execução do acordo e para o desafio regulatório que determinará se a operação poderá ser concluída nos termos propostos.

