A OpenAI facilita aos ecommerce a compra de anúncios de shopping no ChatGPT

A OpenAI continua a reforçar a sua infraestrutura publicitária e quer agora facilitar a entrada dos retalhistas no OpenAI ChatGPT. A empresa está a incorporar uma nova funcionalidade que permitirá aos ecommerce gerar anúncios de shopping diretamente a partir dos seus catálogos de produto, sem necessidade de construir campanhas manualmente artigo a artigo.

Do ponto de vista do utilizador, o formato não muda. Estes anúncios continuarão a aparecer na mesma posição que os restantes ads do ChatGPT, abaixo da resposta e claramente identificados como conteúdo patrocinado. A novidade está na camada operacional: os retalhistas poderão ligar o seu catálogo, definir filtros sobre quais os produtos elegíveis para promoção e deixar que a plataforma gere automaticamente os anúncios com base em nomes, imagens e atributos incluídos no feed.

Esta mudança resolve uma das grandes limitações que a publicidade de ecommerce tinha até agora dentro do ChatGPT. As marcas já podiam carregar os seus catálogos para que o sistema apresentasse preços, disponibilidade e informação de produto em respostas orgânicas relacionadas com compras. No entanto, ainda não existia uma forma de ligar essa informação a anúncios pagos. Se uma marca quisesse anunciar-se, tinha de construir a campanha manualmente. Agora, o mesmo catálogo que alimenta a presença orgânica poderá também ser utilizado para gerar anúncios.

A lógica aproxima-se bastante da das campanhas shopping da Google. Aliás, os retalhistas poderão reutilizar em grande medida o mesmo ficheiro estruturado de produto que já enviam para a Google, reduzindo claramente a barreira de entrada. Segundo o artigo, pelo menos uma marca de retalho já passou por este processo através da Criteo, primeiro parceiro AdTech da OpenAI, e considerou o processo mais simples do que esperava.

Para integrar novos anunciantes, a OpenAI está atualmente a pedir aos seus parceiros de ecommerce uma amostra inicial de 100 produtos antes de partilharem o catálogo completo. Segundo outro executivo do setor citado no artigo, a plataforma poderá suportar até um milhão de SKUs por anunciante. Para já, ainda não foi anunciada uma data pública de lançamento.

A funcionalidade reforça também a ideia de que a OpenAI não está a abdicar do shopping, mas sim a mudar a forma como pretende monetizá-lo. Há algumas semanas, a empresa retirou a funcionalidade de instant checkout, um movimento que alguns interpretaram como um recuo no vertical de commerce. No entanto, esta nova capacidade baseada em product feeds aponta noutra direção: em vez de ficar com uma percentagem da transação, a OpenAI quer competir pelos orçamentos publicitários que as marcas de ecommerce já destinam à captação de compradores.

Este movimento não beneficiará apenas a OpenAI. Segundo Yang Han, cofundador e CTO da StackAdapt, a sua plataforma já dispõe de uma funcionalidade equivalente, o que significa que, ao dar suporte a estes feeds, a OpenAI permite que a StackAdapt os integre de forma fluida dentro da sua própria ligação tecnológica.

A integração de catálogos automatizados faz parte de um esforço mais amplo para construir uma oferta publicitária orientada para resultados. A OpenAI já lançou este ano a compra a CPC (custo por clique) e está a desenvolver modelos de custo por ação, onde o pagamento ficará associado a uma compra efetiva. Além disso, a empresa já ativou funcionalidades de conversion tracking e prepara também capacidades de medição com terceiros.

A OpenAI continua, assim, a aproximar o ChatGPT de uma lógica mais transacional e mais preparada para captar investimento de performance, sendo a automatização publicitária baseada em catálogos uma das peças mais concretas até agora dentro dessa estratégia.

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