A Perplexity aposta no crescimento orgânico na era da IA
Enquanto a concorrência entre as plataformas de inteligência artificial para captar a atenção do consumidor se intensifica, a maioria dos grandes actores do sector — como OpenAI, Meta e Google — tem apostado em estratégias de marketing de grande escala. A Perplexity, por sua vez, seguiu um caminho diferente. A sua abordagem assenta no crescimento orgânico e na construção de uma relação directa com um target muito específico.
“O nosso marketing não é uma máquina de bullshit”, afirmou Jesse Dwyer, Head of Communication da empresa, ao explicar porque considera que o modelo clássico de SaaS já não se ajusta totalmente ao ecossistema actual da IA. Em vez de procurar alcance massivo, a Perplexity confia que o valor da marca e a experiência de produto sejam suficientes para manter os utilizadores actuais envolvidos e atrair novos perfis de elevado valor. A plataforma registou 780 milhões de consultas no passado mês de maio, um número partilhado pelo CEO Aravind Srinivas durante o Bloomberg Tech Summit.
Em termos de mind share, a Perplexity situa-se, segundo um estudo da Morning Consult, entre 5% e 10%, um patamar semelhante ao de plataformas como Midjourney, Runway ou Grok. A diferença torna-se evidente quando comparada com o ChatGPT, que concentra cerca de 40%. Ainda assim, a empresa considera que não precisa de contar a sua história a todo o mercado, mas sim reforçar a ligação com quem já reconhece a sua proposta diferenciadora. O público-alvo está claramente definido: perfis com elevado poder de decisão, como CEOs, investidores, advogados, atletas de alta competição e jornalistas.
Menos transparente é o enfoque táctico de marketing da Perplexity, já que Dwyer evitou detalhar valores concretos de investimento e descreveu o media mix da empresa como “experimental”. Essa experimentação materializou-se em iniciativas como a realizada em 2023, quando a Perplexity lançou o seu primeiro coffee pop-up durante a NY Tech Week, ou no passo seguinte, com a abertura do Cafe Curious, um espaço físico permanente em Seul. Noutra ocasião, em vez de investir num anúncio no Super Bowl, a empresa organizou um sorteio em que um utilizador ganhou um milhão de dólares.
Investimento publicitário
No que diz respeito ao investimento em publicidade, dados da MediaRadar indicam que a Perplexity aplicou cerca de 3,5 milhões de dólares em meios digitais como vídeo online, search e redes sociais. Em comparação, a Anthropic Claude investiu 4,3 milhões de dólares, enquanto a OpenAI destinou quase 90 milhões de dólares à publicidade.
Quando recorre a campanhas pagas, a Perplexity opta por figuras que já utilizam a plataforma, como o actor Lee Jung-jae ou o campeão mundial de Fórmula 1 Lewis Hamilton, que é também investidor da empresa. A lógica é clara: gerar confiança a partir de utilizadores reais, num contexto em que aumentam as preocupações com privacidade de dados e deepfakes.
Em declarações à Digiday, Heather Barrett, VP of Strategy and Planning na agência B2B Transmission, sublinhou que “a estratégia orgânica da Perplexity funciona porque foi desenhada para oferecer apoio personalizado no dia-a-dia do utilizador. Esse tipo de relação pode ser demonstrado rapidamente através do uso; não é algo que seja preciso comprar”. “Estamos incansavelmente focados nas pessoas a quem a Perplexity se dirige, e todas as nossas actividades de marketing e orçamentos partem dessa ideia simples”, concluiu Dwyer.

