A Publicis pondera novas aquisições para manter a sua posição após o avanço de Omnicom–IPG
Depois de liderar grande parte da última década no ranking dos holdings publicitários, o Publicis Groupe enfrenta um novo tabuleiro competitivo: a integração do Interpublic Group na Omnicom deu origem a um grupo de maior escala, com a operação já aprovada pela Comissão Europeia. Neste contexto, o mercado volta a colocar a mesma questão: continuar a comprar para manter vantagem reputacional ou concentrar-se em extrair mais valor do ecossistema de activos já integrado?
O debate surge à beira de um momento-chave para os investidores. A Publicis vai apresentar os resultados anuais de 2025 a 3 de fevereiro de 2026, antes da abertura do mercado em Paris. Fontes ouvidas pela Digiday indicam que, com a corrida pela hegemonia da adland a acelerar, voltaram a circular rumores no sector sobre novas aquisições — incluindo em ad tech — como forma de sustentar a narrativa de liderança face ao rival norte-americano.
O ponto de tensão é que a Publicis não parte do zero. Nos últimos anos, o grupo encadeou aquisições como Profitero, CitrusAd, Mars United Commerce, Influential, Lotame ou Captiv8, entre outras. Por isso, pelo menos duas fontes citadas pela Digiday defendem que a prioridade deveria passar por integrar melhor o que já foi adquirido — em termos de produto, dados, activação e go-to-market — antes de abrir um novo ciclo de M&A.
Ainda assim, há um território onde o mercado acredita que a Publicis poderá avançar no curto prazo: o desporto. Um executivo citado pela Digiday refere que o holding tem estado a “licitar” e a observar o espaço com interesse, numa estratégia distinta — e complementar — à aquisição da Adopt, anunciada em 2025. Nesse contexto surge também um nome próprio: Suzy Deering, responsável pela operação de sports, que o grupo procuraria “reforçar” com mais recursos.
O outro rumor recorrente é mais ambicioso — e mais sensível: uma potencial operação sobre a LiveRamp. Várias fontes citadas pela Digiday indicam que essa hipótese perdeu força nas últimas semanas, embora o buzz tenha aumentado em torno do Consumer Electronics Show, onde as duas empresas anunciaram uma parceria de dados. Do ponto de vista financeiro, o esforço não seria marginal: a capitalização bolsista da LiveRamp situava-se entre 1,6 e 1,7 mil milhões de dólares no final de janeiro de 2026, antes de qualquer prémio de aquisição.
Para além do impacto mediático, a lógica estratégica seria clara: identidade, sinal e activação. Um executivo de corporate development citado pelo meio interpreta a aproximação à LiveRamp como um reconhecimento implícito de que a proposta de identidade da Publicis — assente na Epsilon, adquirida por 4 mil milhões de dólares — poderá precisar de reforço num mercado em que os dados e as soluções de ID voltaram ao centro da competição entre holdings.
Ainda assim, não há consenso quanto à ideia de que a Publicis esteja a mover-se “por receio” da Omnicom. Outro conjunto de fontes ouvidas pela Digiday sustenta que o grupo francês está sobretudo focado em vender mais capacidades a mais clientes, promovendo uma colaboração mais estreita entre os seus activos. E que, se houver um novo movimento corporativo, será porque “fecha o círculo” da sua oferta, incluindo áreas emergentes como o comércio agêntico.
A imagem final deverá clarificar-se em breve: com a apresentação de resultados a 3 de fevereiro, o mercado procurará sinais sobre se a Publicis prepara uma nova aquisição de peso ou se a aposta imediata passa por maximizar o retorno da plataforma que já construiu.

