A Profound leva a IA agêntica para a análise e execução de estratégias de marketing

A Profound lançou o Aim, uma nova interface conversacional inspirada no ChatGPT, concebida para gerir fluxos de trabalho de marketing de ponta a ponta através de inteligência artificial agêntica. A empresa, especializada em visibilidade em motores de pesquisa baseados em IA, apresenta esta solução num momento em que os workflows agênticos começam a ganhar relevância na indústria da publicidade e do marketing.

O Aim — abreviatura de AI Marketer — permite às marcas monitorizar a forma como são citadas e percecionadas em assistentes de IA como ChatGPT e Claude. Quando deteta alterações relevantes, como uma diminuição das menções à marca ou mudanças no sentimento associado, a plataforma identifica as possíveis causas, elabora um relatório, cria um projeto e gera automaticamente tarefas destinadas a resolver o problema.

A principal diferença face a outras ferramentas está no facto de o Aim não se limitar a apresentar recomendações. A plataforma consegue encaminhar a execução para outros agentes de IA integrados na própria interface, evitando que as equipas de marketing tenham de alternar entre diferentes sistemas ou workflows.

Segundo Josh Blyskal, responsável por projetos especiais na Profound, o Aim consegue orquestrar todo o ciclo de marketing a partir de uma interface conversacional. Apesar de funcionar como um chatbot, a empresa afirma que a solução foi construída sobre "marketing primitives", ou seja, agentes especializados em tarefas de marketing, em vez de depender exclusivamente de um assistente de IA de uso geral.

Do diagnóstico à execução

A Profound testou o Aim durante cerca de três meses com aproximadamente 100 clientes. Nesse período, a empresa afirma terem sido criados mais de 300 mil agentes, um indicador do crescente interesse por este tipo de fluxos automatizados.

O sucesso da plataforma será avaliado com base em fatores como o tempo poupado, a quantidade de trabalho que os profissionais de marketing conseguem produzir e a melhoria das métricas de desempenho. O Aim ficará disponível como parte da atual subscrição da Profound.

Um dos primeiros casos de utilização ocorreu na Gen Digital, empresa-mãe da Norton, LifeLock e MoneyLion, onde a plataforma foi utilizada para otimização de conteúdos.

Segundo Sarah DiCara, Senior Director of Content Distribution da Gen Digital, quando uma página perde posições no ranking de citações em motores de IA, o Aim desencadeia automaticamente uma recomendação de melhoria.

A partir desse momento, a plataforma realiza uma análise competitiva em tempo real para identificar quais os concorrentes que surgem em determinadas pesquisas ou prompts e propõe otimizações específicas. Caso a equipa aprove as sugestões, o Aim pode agendar diretamente a atualização no sistema de gestão de conteúdos (CMS).

De acordo com DiCara, uma tarefa que anteriormente demorava cerca de duas horas pode agora ser concluída em aproximadamente 20 minutos, embora a qualidade dos resultados continue a depender do contexto e da informação fornecida pela marca.

O papel do first-party data

Um dos elementos mais importantes para o funcionamento do Aim é a qualidade e quantidade de informação própria que cada marca disponibiliza ao sistema.

Na Gen Digital, a equipa está a trabalhar na alimentação das bases de conhecimento da plataforma para definir quais os dados first-party que devem ser ligados ao Aim.

Este aspeto ilustra um dos maiores desafios da IA agêntica aplicada ao marketing: os agentes necessitam de dados limpos, estruturados e contextualizados para produzirem recomendações relevantes. A automatização não elimina a necessidade de estratégia nem de supervisão humana; pelo contrário, exige uma definição mais rigorosa da informação que é fornecida ao sistema e da forma como esta deve ser interpretada.

Comparativamente às soluções anteriores da Profound, baseadas em recomendações mais fechadas, o Aim introduz uma abordagem mais flexível. Os profissionais de marketing podem criar, configurar e adaptar agentes às suas necessidades específicas, promovendo uma colaboração mais estreita entre equipas humanas e sistemas de IA.

Segundo Josh Blyskal, ainda não existe uma plataforma agêntica suficientemente democratizada que aprenda com os profissionais de marketing e trabalhe de forma verdadeiramente colaborativa. O Aim procura ocupar esse espaço, combinando diagnóstico, planeamento, execução e aprendizagem contínua numa única interface.

O custo dos tokens continua a ser um desafio

A adoção de workflows agênticos levanta também uma questão económica importante: o custo associado ao consumo de tokens.

Segundo a informação divulgada, um único agente criado no Aim pode consumir cerca de 250 mil tokens e realizar aproximadamente 90 interações conversacionais para gerar apenas um projeto.

Josh Blyskal reconhece que se trata de um sistema dispendioso de executar, embora considere que esta é também uma das componentes mais sofisticadas da plataforma. A Profound cobra os seus serviços através de um sistema de créditos, cujo cálculo incorpora precisamente o consumo de tokens.

Na Gen Digital, Sarah DiCara explica que a sua equipa suporta diretamente esse custo e que um dos principais desafios passa por compreender quanto custa cada workflow e de que forma poderá ser otimizado.

A plataforma permite alternar entre diferentes modelos de IA, como Opus e Sonnet, possibilitando ajustar o equilíbrio entre capacidade de processamento e custos. Ainda assim, a gestão eficiente do consumo de tokens será determinante para que este tipo de soluções possa escalar dentro de grandes equipas de marketing.

A IA passa a orquestrar processos completos

O lançamento do Aim reflete uma transformação mais ampla da indústria: a inteligência artificial deixa de ser utilizada apenas como ferramenta de apoio pontual e começa a assumir o papel de camada de orquestração de processos completos de marketing.

Neste novo paradigma, os agentes não se limitam a analisar visibilidade ou gerar recomendações. São também capazes de identificar problemas, sugerir ações, criar tarefas, coordenar a sua execução e atualizar automaticamente sistemas internos.

Para as marcas, esta evolução promete acelerar processos, reduzir tarefas manuais e aumentar a capacidade de resposta às alterações na visibilidade dentro de ambientes baseados em IA.

No entanto, esta transformação traz igualmente novos desafios. A qualidade dos dados, a supervisão humana, a transparência dos custos e a eficiência na utilização de tokens serão fatores decisivos para que estas soluções deixem de ser ferramentas avançadas e passem a integrar, de forma permanente, a infraestrutura tecnológica das equipas de marketing.

Com o Aim, a Profound posiciona-se precisamente nessa direção: oferecer um agente de IA capaz de transformar a visibilidade das marcas em plataformas como o ChatGPT e o Claude em decisões, projetos e ações concretas. A oportunidade é evidente, mas a sua adoção dependerá da capacidade das empresas para encontrar um equilíbrio entre automatização, controlo, desempenho e custo.

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