O YouTube quer ser mais do que TV premium, sem perder o seu ADN de performance.

A Google está a incentivar as suas equipas de vendas a priorizar o YouTube nos pitches, segundo avançou a Digiday. No entanto, o objetivo não é posicioná-lo apenas como um suporte de “TV premium”, mas como um concorrente direto da Meta no lower e mid funnel, especialmente através de Demand Gen, o formato orientado para descoberta e influência na fase intermédia do funil.

É neste contexto que ganha relevância o YouTube Shorts, o formato de vídeo curto criado para competir com o TikTok e os Reels da Meta. O Shorts acrescenta o inventário e os padrões de consumo que os marketers de performance procuram, permitindo ao YouTube prometer alcance massivo em ecrãs de TV e, ao mesmo tempo, resultados dentro do mesmo ecossistema. Shamsul Chowdhury, especialista em Paid Social Media, afirma à Digiday que “se a Google conseguir controlar o mid funnel como domina o bottom funnel, sabe que desbloqueará mais investimento, já que as marcas reconhecem a necessidade de ativar todo o funil”.

A medição é outra peça estratégica, com destaque para o impulso dado às Platform Comparable Conversions, métrica lançada no início de 2025. Segundo Chris Rigas, VP of Media na Markacy, se um utilizador vir um anúncio no YouTube e converter posteriormente via search, essa conversão passa também a ser atribuída a Demand Gen/YouTube, algo que anteriormente não acontecia.

Com a pressão da IA sobre o negócio de search, o YouTube posiciona-se como válvula de crescimento. E os números acompanham: executivos ouvidos pela Digiday antecipam aumentos de investimento para 2026. Os clientes da Markacy, por exemplo, costumam investir entre 10% e 15% do seu mix total de media em YouTube, sendo expectável que esse valor suba para entre 15% e 20% este ano.

Além disso, o YouTube reforçou a sua posição estratégica nos acordos dentro da DV360, combinando o alcance massivo típico da TV com a eficácia do performance sob um mesmo enquadramento comercial — um fator crítico face ao avanço do DSP da Amazon. Ainda assim, muitos anunciantes continuam a optar pelo Google Ads em vez da DV360, devido à maior eficiência de custos e melhor integração com search.

Em paralelo, a escala é evidente: consomem-se mais de mil milhões de horas de conteúdo diariamente no YouTube, que atingiu 60 mil milhões de dólares em receitas anuais em 2025 (publicidade e subscrições), mais 10 mil milhões do que em 2024. A Nielsen certifica-o como o streamer número um nos Estados Unidos durante os últimos três anos.

O desafio do YouTube é claro: ser TV premium, potenciar o formato curto e funcionar como motor económico dos criadores. Se conseguir equilibrar alcance, monetização e margens, não só competirá com broadcasters e social media, como continuará a redefinir o que é uma plataforma de vídeo moderna.

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