A Amazon Ads doa ao IAB Tech Lab uma ferramenta para reduzir o desperdício no bidstream

A Amazon Ads doou ao IAB Tech Lab o seu Dynamic Traffic Engine (DTE), uma nova ferramenta concebida para melhorar a eficiência do bidstream programático. Este movimento integra a tecnologia no projeto open source do organismo técnico da indústria e posiciona-a como uma potencial solução para reduzir uma das ineficiências mais conhecidas do ecossistema: o envio massivo de bid requests que não correspondem ao que os compradores realmente procuram.

A lógica por detrás da iniciativa é relativamente direta. Atualmente, muitos SSPs enviam grandes volumes de pedidos de licitação sem conhecer com precisão que inventário ou que tipos de audiência os DSPs priorizam em cada momento. Esta falta de visibilidade gera tráfego desnecessário, pressão sobre a infraestrutura e custos operacionais adicionais ao longo de toda a cadeia. Tanto o IAB Tech Lab como outras análises do setor apontam que o DTE surge precisamente para reduzir essa distância entre a intenção do comprador e o que é disponibilizado pelo vendedor.

Segundo explicou Anthony Katsur, CEO do IAB Tech Lab, a ferramenta funcionará como um “filtro inteligente de tráfego”. O seu funcionamento baseia-se num modelo assente em ficheiros, através do qual os DSPs podem definir, durante um determinado período, que tipos de bid requests priorizam — desde critérios amplos até preferências muito específicas de audiência ou inventário. A partir daí, os SSPs podem consultar esses sinais e ajustar melhor o tráfego que enviam. Em termos simples, trata-se de passar de um modelo baseado em inferência para um modelo baseado em sinal explícito.

Para a Amazon Ads, a promessa é que esta maior clareza permita atuar com maior precisão, reduzir pedidos desperdiçados, melhorar o alcance útil para os anunciantes e ajudar os publishers a monetizar melhor o seu inventário. Já o IAB Tech Lab enquadra esta evolução como um passo rumo a uma cadeia programática mais eficiente e curada, num momento em que o mercado está cada vez mais focado na qualidade do tráfego, no QPS waste e na necessidade de otimizar a infraestrutura sem continuar a aumentar o volume de forma inercial.

A integração será desenvolvida no âmbito da iniciativa open source do IAB Tech Lab e, segundo o organismo, poderá articular-se com os seus trabalhos em torno dos Agentic Advertising Management Protocols e, em particular, com o Agentic Real-Time Framework. O objetivo é que o modelo não se limite a uma solução pontual, mas evolua para um standard mais alargado e extensível de partilha interoperável de sinais de procura.

O mercado já dispõe de um primeiro caso prático. A PubMatic indicou no final de março que a sua integração global com o DTE já se encontra ativa e que gerou resultados mensuráveis, incluindo um aumento de até 10% no eCPM, bem como melhorias na eficiência das campanhas e nos fill rates. Este dado deve ser interpretado como uma indicação do próprio parceiro, mas ajuda a perceber por que motivo este tipo de soluções começa a ganhar tração: ao reduzir ruído no bidstream e concentrar oportunidades de maior valor, podem beneficiar simultaneamente buyers, SSPs e publishers.

A leitura de fundo é clara: a programática entra numa fase em que já não basta aumentar volume. Torna-se igualmente crítico enviar menos pedidos, mas mais relevantes. O DTE não resolverá, por si só, os desafios estruturais do ecossistema, mas aponta para uma direção cada vez mais evidente: mais sinal, menos desperdício e uma cadeia de fornecimento publicitária mais orientada por intenção real do que por suposição.

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