A Google poderá estar a alterar os resultados de pesquisa apresentados aos bots de IA

A Google estará a modificar os resultados de pesquisa que disponibiliza a determinados bots de scraping, introduzindo informação incorreta nas páginas que estes sistemas recolhem automaticamente. A prática, denunciada por fornecedores de ferramentas de posicionamento e noticiada pelo Search Engine Roundtable, poderá fazer parte de uma estratégia para dificultar a extração massiva de informação por parte de empresas de inteligência artificial e de serviços que comercializam dados provenientes do Google Search.

Nas últimas semanas, a Google intensificou os mecanismos destinados a distinguir as pesquisas realizadas por utilizadores humanos daquelas que têm origem em sistemas automatizados. Até agora, as medidas mais comuns consistiam em bloquear endereços IP, exigir verificações CAPTCHA ou limitar determinados pedidos. No entanto, os novos indícios apontam para uma prática diferente: disponibilizar aos bots páginas aparentemente normais, mas com resultados de pesquisa alterados.

A diferença é relevante porque, enquanto um bloqueio pode ser identificado e comunicado como um erro, uma página com informação incorreta pode ser integrada nas bases de dados das ferramentas de análise sem que estas detetem imediatamente o problema.

A empresa especializada na monitorização de resultados de pesquisa Nozzle publicou uma investigação sobre este comportamento, com base em 27,5 milhões de páginas de resultados recolhidas desde 13 de setembro de 2026, em 49 países. Segundo a análise, 8% das páginas avaliáveis apresentavam resultados que a empresa considera alterados, face aos 0,17% registados no período de referência anterior. Nos dias de maior incidência, entre 27 e 29 de setembro, a percentagem situou-se em torno de um quarto dos resultados analisados.

Os investigadores identificaram páginas que mantinham o aspeto habitual do Google Search, mas apresentavam ligações diferentes daquelas que surgiam recorrentemente para as mesmas pesquisas. Em muitos casos, os sites que normalmente ocupavam as primeiras posições desapareciam e eram substituídos por outros resultados.

A Nozzle observou também uma maior presença de plataformas sociais e fóruns, como o Reddit, o Facebook e o LinkedIn, nestas páginas. Segundo o estudo, 77,9% dos resultados classificados como alterados voltaram a apresentar os sites habituais num prazo de três dias.

A investigação utiliza um critério baseado na estabilidade histórica dos resultados e na sua posterior recuperação para identificar estas anomalias. Embora a Nozzle interprete as alterações como uma manipulação deliberada contra os sistemas de scraping, a Google não confirmou publicamente que esteja a introduzir dados falsos de forma intencional.

Entre as empresas potencialmente afetadas encontra-se a SerpApi, um fornecedor que extrai resultados do Google Search e comercializa o acesso a essa informação através de uma API. A Google mantém um conflito judicial com a SerpApi devido às suas atividades de extração de dados. Depois de uma ação judicial anterior ter sido rejeitada, a empresa apresentou, em agosto, uma versão revista da sua queixa.

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