A IA impulsiona o crescimento publicitário da Meta, mas faz disparar os custos em 55%

A Meta encerrou o segundo trimestre do ano com receitas de 60,4 mil milhões de dólares, um crescimento de 28% face ao mesmo período do ano anterior. A publicidade voltou a assumir-se como o principal motor do negócio: as receitas publicitárias atingiram os 59,4 mil milhões de dólares, mais 27% em termos homólogos, representando cerca de 98% da faturação total.

No entanto, o crescimento do negócio foi acompanhado por um aumento significativo dos custos. As despesas da empresa ascenderam a 42 mil milhões de dólares, um aumento de 55% face ao ano anterior. Durante a apresentação de resultados, a CFO da Meta, Susan Li, explicou que este crescimento resulta de vários fatores, entre os quais 1,2 mil milhões de dólares em indemnizações relacionadas com os despedimentos realizados em maio, 2,4 mil milhões de dólares associados a processos judiciais e, sobretudo, do reforço do investimento em inteligência artificial. Segundo Susan Li, este investimento inclui a aquisição de capacidade de computação através de terceiros, o desenvolvimento de novos centros de dados e a contratação de talento técnico especializado, principalmente profissionais dedicados à inteligência artificial.

A IA ganha protagonismo na evolução do negócio publicitário

A empresa considera que este investimento já está a refletir-se no desempenho da sua atividade publicitária. Durante a conferência com analistas, Mark Zuckerberg explicou que os modelos de linguagem desenvolvidos pela Meta conseguem compreender de forma mais eficaz o conteúdo com o qual os utilizadores interagem e perceber porque é relevante para cada pessoa. Esta capacidade permite melhorar a compreensão dos seus interesses e otimizar a seleção e classificação dos anúncios apresentados nas plataformas da empresa.

Em paralelo, a Meta continua a expandir os espaços onde comercializa publicidade. Durante o segundo trimestre concluiu a implementação global de anúncios no Threads e continuou a avançar com a integração de publicidade no WhatsApp. Os primeiros resultados das ferramentas de IA aplicadas à otimização publicitária também revelam melhorias de desempenho. Segundo a empresa, os testes realizados com modelos generativos integrados no seu sistema de recuperação de anúncios aumentaram em 8,3% os cliques e em 15,7% as conversões no Facebook.

A administração da Meta deixou igualmente claro que a expansão da infraestrutura necessária para suportar o desenvolvimento da inteligência artificial continuará a ser uma prioridade nos próximos anos. Durante a apresentação de resultados, vários analistas questionaram o elevado ritmo de investimento e o seu impacto na estrutura financeira da empresa. Susan Li explicou que a Meta ajustou a sua estratégia de financiamento para suportar estas iniciativas a longo prazo, aumentando o peso da dívida na sua estrutura de capital.

Com as receitas publicitárias a crescerem a dois dígitos e uma estratégia cada vez mais assente na inteligência artificial, a Meta mantém a aposta em melhorar a eficácia dos seus sistemas de recomendação e das suas soluções publicitárias. Ainda assim, o custo desta transformação continuará a pressionar os resultados financeiros da empresa no curto prazo.

Anterior
Anterior

Comissão Europeia multa Google em 890 milhões de euros por incumprimento da Lei dos Mercados Digitais

Próximo
Próximo

Heineken reforça colaboração direta com parceiros AdTech enquanto a atenção ganha peso como métrica