A Netflix reformula a sua oferta pela Warner: 72 mil milhões de dólares para agilizar a votação

A Netflix reformulou a sua oferta pelos ativos de streaming e estúdios da Warner Bros. Discovery (WBD), convertendo-a numa proposta integralmente em numerário, avaliada em 72 mil milhões de dólares (27,75 dólares por ação). O objetivo é acelerar a votação dos acionistas e oferecer “maior certeza” quanto ao valor final da operação.

A atualização foi conhecida em paralelo com a divulgação dos resultados de fecho de 2025, momento em que a empresa quantificou também o peso crescente do seu negócio publicitário: mais de 1.500 milhões de dólares em receitas de anúncios ao longo de 2025, o que representa um crescimento superior a 2,5 pontos face a 2024.

Uma operação para somar IPs, escala de produção e subscrições

Na sua comunicação ao mercado, a Netflix enquadrou a aquisição como um movimento estratégico para reforçar a sua oferta de conteúdos e alargar oportunidades para criadores. A empresa destacou ainda o potencial de desenvolvimento do catálogo de IPs da WBD e o papel do HBO Max na criação de planos de subscrição mais flexíveis e personalizados.

O grupo sinalizou igualmente a intenção de expandir a sua capacidade de produção nos Estados Unidos e noutros mercados, num contexto em que a concorrência por conteúdo premium e por share of viewing continua a intensificar-se no setor do entretenimento.

2025: crescimento de receitas, mais subscritores e um negócio publicitário “já à escala”

Em 2025, a Netflix encerrou o ano com 45,2 mil milhões de dólares em receitas totais (+16% em termos homólogos) e atingiu 325 milhões de subscritores pagos.

No que respeita à publicidade, a mensagem foi clara: o negócio “atingiu escala” e o foco passa agora por otimizar a monetização do inventário, impulsionando variáveis como o ad fill rate e a receita publicitária por membro.

2026: mais dados, novos formatos e um objetivo de 3.000 milhões de dólares em publicidade

Para 2026, a Netflix antecipa que as receitas publicitárias possam voltar a duplicar, aproximando-se dos 3.000 milhões de dólares, sustentadas por uma combinação de maior capacidade de first-party data (num enquadramento privacy-safe), formatos mais interativos e a evolução do seu stack publicitário in-house.

Em paralelo, a empresa está a apostar em formatos publicitários suportados por IA para aproximar anunciantes e conteúdos, sinalizando que a sua proposta em Ads não se limitará a escalar inventário, mas sim a sofisticar produto e medição.

Reguladores e próximos passos

No plano regulatório, a Netflix manifestou confiança no processo, referindo contactos tanto com o Departamento de Justiça dos EUA como com a Comissão Europeia, numa operação que, pela sua dimensão, continuará sob forte escrutínio das autoridades da concorrência.

Com a aquisição da WBD posicionada como um “acelerador estratégico” e o negócio publicitário a entrar numa fase de otimização, a Netflix prepara-se para competir em duas frentes em simultâneo: mais conteúdo premium e mais ferramentas para captar investimento publicitário, enfrentando diretamente rivais como o YouTube na disputa por talento, audiência e orçamento.

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