A OpenAI lança o seu ad manager e acelera a sua aposta na publicidade digital

A OpenAI lançou de forma discreta o seu próprio gestor de anúncios, uma ferramenta-chave na sua estratégia para construir um negócio publicitário à escala global, segundo vários meios do setor. O novo sistema, ainda em fase de testes, está disponível apenas para um grupo restrito de anunciantes. De acordo com as fontes citadas, apresenta um design funcional e semelhante ao do Google Ads, permitindo pela primeira vez aos anunciantes monitorizar o desempenho em tempo real e otimizá-lo diretamente com base em impressões e cliques, sem necessidade de recorrer à OpenAI ou a uma agência intermediária.

Este modelo de self-service representa um passo estratégico para a empresa. Segundo o The Information, a OpenAI projeta que este negócio possa atingir os 102 mil milhões de dólares até 2030 — uma meta dificilmente alcançável sem uma plataforma própria de gestão de anúncios. Caso o modelo consiga escalar para além da fase piloto, poderá marcar um ponto de viragem: o self-service foi historicamente determinante no crescimento de gigantes como a Google, a Meta e a Amazon, que passaram de fases iniciais de teste para uma posição dominante no mercado.

A redução do investimento mínimo assinala também uma mudança relevante na estratégia publicitária da OpenAI. Há poucas semanas, o acesso ao programa piloto exigia investimentos entre 200 mil e 250 mil dólares — uma barreira que foi agora significativamente reduzida. Este movimento junta-se a outros sinais de aceleração do negócio, como a contratação de David Dugan para liderar a área de publicidade em news e as parcerias com partners tecnológicos como a Criteo e a Smartly, num contexto em que a empresa procura consolidar a sua posição no mercado antes de uma potencial entrada em bolsa no final do ano.

O calendário do programa piloto reflete igualmente esta evolução. Inicialmente previsto até ao final de março, o período de testes foi já prolongado até ao final de abril, sendo que alguns agency buyers com clientes incluídos no piloto não excluem novas extensões.

Neste cenário, tudo indica que mais anunciantes poderão interessar-se por testar publicidade no ChatGPT. Quando o programa foi lançado, em janeiro, o elevado mínimo de 250 mil dólares funcionava como um entrave para muitas marcas, obrigadas a investir montantes significativos numa plataforma ainda com dados limitados. A redução para 50 mil dólares diminui substancialmente essa barreira de entrada, sobretudo num modelo em que o pagamento está diretamente associado ao inventário adquirido.

Ainda assim, o desempenho permanece limitado nesta fase, segundo fontes do setor. Apesar disso, para uma plataforma publicitária em estágio inicial, a proposta revela-se atrativa: custos de entrada mais baixos e um modelo de pagamento orientado a resultados num ambiente ainda em consolidação. Além disso, a empresa não parece focar-se apenas em formatos de awareness. O Adweek reportou que fragmentos de código analisados no próprio ads manager apontam para futuras capacidades de campanhas orientadas para cliques e conversões, sugerindo que a OpenAI pretende evoluir o ChatGPT também numa lógica de performance. Para já, o produto permanece sobretudo limitado a anúncios baseados em impressões, mas a direção estratégica é clara.

O CPM situa-se atualmente nos 60 dólares — um valor que pode parecer elevado face ao novo limiar de entrada de 50 mil dólares. No entanto, esta valorização está alinhada com o comportamento dos utilizadores do ChatGPT, que tendem a encontrar-se numa fase ativa de decisão quando são expostos a um anúncio.

A urgência em construir um negócio publicitário a grande velocidade já se reflete na visão da OpenAI sobre o seu potencial a longo prazo. Após apenas seis semanas de testes, a empresa terá atingido receitas anualizadas de 100 milhões de dólares, segundo a Reuters.

Com este movimento, a OpenAI acelera o desenvolvimento da sua infraestrutura publicitária e posiciona-se para competir num mercado dominado pelas grandes plataformas tecnológicas, num momento em que procura diversificar as suas fontes de receita para além das subscrições.

Anterior
Anterior

Os publishers enfrentam uma nova economia do scraping impulsionada pela IA

Próximo
Próximo

O áudio digital afirma-se como um canal-chave para a publicidade, mas continua a enfrentar desafios