A OpenAI registou confidencialmente a sua saída para bolsa e segue assim um caminho semelhante ao da Anthropic

A OpenAI apresentou de forma confidencial a documentação necessária para avançar com a sua entrada em bolsa, um movimento que reforça a crescente corrida das grandes empresas de inteligência artificial para conquistar Wall Street. A empresa responsável pelo ChatGPT confirmou esta segunda-feira que submeteu um formulário S-1 confidencial junto da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), um passo habitual na preparação de uma oferta pública inicial (IPO).

Segundo a Adweek, a decisão coloca a OpenAI no mesmo caminho da Anthropic, a sua principal concorrente, que anunciou uma operação semelhante há cerca de uma semana. A coincidência reflete a forma como as principais empresas de IA começam a preparar a sua transição dos mercados privados para os investidores públicos, numa altura em que o setor enfrenta uma pressão crescente para demonstrar modelos de negócio sustentáveis e rentáveis.

Através de uma publicação no X, a OpenAI explicou que ainda não definiu um calendário para a operação. “Ainda não decidimos o calendário; pode demorar algum tempo porque há coisas que queremos fazer que provavelmente são mais fáceis enquanto empresa privada”, referiu a companhia.

A apresentação confidencial permite às empresas avançar no processo regulatório sem revelar publicamente informação financeira sensível até fases mais avançadas. Embora não garanta uma entrada imediata em bolsa, representa um sinal claro das ambições de crescimento da OpenAI e do grau de maturidade que a indústria da inteligência artificial está a alcançar.

Com a OpenAI e a Anthropic a darem os primeiros passos rumo a uma possível cotação em bolsa, o mercado acompanha atentamente uma nova fase para o setor: aquela em que a promessa tecnológica terá de se traduzir em resultados financeiros capazes de convencer os investidores de Wall Street.

Desde a sua fundação em 2015, o grande ponto de viragem da OpenAI aconteceu no final de 2022 com o lançamento do ChatGPT, uma ferramenta que acelerou a adoção massiva da IA generativa e transformou a conversa global sobre esta tecnologia. Mais de três anos depois, a plataforma ultrapassa os mil milhões de utilizadores ativos mensais. Transformar esta enorme base de utilizadores em receitas sustentáveis é agora um dos principais desafios da empresa. A OpenAI está a explorar novas vias de monetização, incluindo a introdução de formatos publicitários no ChatGPT.

No entanto, a liderança da OpenAI já não parece tão incontestável como há apenas um ano. A concorrência entre os developers de grandes modelos de linguagem intensificou-se e a Anthropic surge como uma das rivais mais sólidas. Enquanto a OpenAI foi recentemente avaliada em mais de 850 mil milhões de dólares, a Anthropic atingiu uma valorização próxima dos 965 mil milhões após a sua última ronda de financiamento.

A batalha também se trava no terreno corporativo. Nos últimos meses, Claude, o assistente de IA desenvolvido pela Anthropic, ganhou uma tração significativa entre empresas, reduzindo a vantagem que a OpenAI mantinha na implementação de soluções de inteligência artificial para ambientes de trabalho. Segundo dados da startup Ramp, baseados numa amostra de 50 mil empresas utilizadoras da sua tecnologia, a adoção da Anthropic cresceu 3,8% em abril até atingir os 34,4%, enquanto a da OpenAI recuou 2,9%, situando-se nos 32,3%.

O movimento da OpenAI rumo a uma potencial entrada em bolsa surge também num momento particularmente relevante para a empresa. A apresentação confidencial acontece pouco depois de a companhia ter obtido uma vitória judicial frente a Elon Musk numa ação avaliada em 150 mil milhões de dólares, encerrando temporariamente uma das frentes legais mais mediáticas que enfrentou nos últimos anos.

Para já, a empresa não fez declarações adicionais além da mensagem publicada no X para anunciar a entrega da documentação. Resta perceber se a OpenAI conseguirá antecipar-se à Anthropic e, sobretudo, se conseguirá convencer Wall Street de que a revolução da inteligência artificial pode transformar-se num negócio tão rentável quanto promete.

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