A The Trade Desk testa a criação de campanhas com IA generativa através de ‘Claude’ numa beta fechada
A The Trade Desk está testando se os anunciantes podem criar campanhas dentro de sua plataforma usando IA generativa. O CEO Jeff Green confirmou a iniciativa durante o evento Marketecture Live em Nova Iorque, explicando que a empresa lançou uma beta fechada em que um grupo limitado de anunciantes pode configurar campanhas usando ‘Claude’, da Anthropic. Green não detalhou quais partes do fluxo — briefing, público, lances, criativos ou medição — estão cobertas pelo piloto nem forneceu datas para um possível lançamento.
O interesse da The Trade Desk por um abordagem baseada em LLMs se apoia em uma ideia que Green repete com frequência: a compra programática é adequada para automação em volume e velocidade. No evento, ele afirmou que a indústria lida com “20 milhões de oportunidades de impressão por segundo” e “10 milissegundos ou menos” para tomar decisões, um cenário em que agentes de IA podem transformar a forma de construir e gerenciar campanhas em escala.
O piloto com Claude se insere na roadmap que Green já mencionou: a The Trade Desk planeja lançar em 2026 um framework de IA agentic para parceiros, junto com um novo modelo de medição. Green enquadrou essas iniciativas como parte de uma “corrida armamentista” do setor, na qual os grandes players tentam que a IA deixe de ser apenas um widget e comece a operar workflows completos. A ADWEEK já havia reportado que a Amazon está abrindo partes de sua infraestrutura publicitária para agentes via MCP (Model Context Protocol), buscando padronizar como agentes se conectam a ferramentas e dados.
Durante a apresentação, Green também sugeriu que o mercado está se movendo para novas superfícies de inventário, incluindo placements em chatbots, sem confirmar se isso inclui produtos como ChatGPT, e evitou comentar rumores sobre conversas com a OpenAI.
Além disso, ele introduziu uma leitura econômica: à medida que aumentam os custos de infraestrutura (CAPEX) e as expectativas de crescimento das companhias de IA, a publicidade pode se tornar uma fonte recorrente para sustentar modelos de negócio.
Um dos pontos mais polêmicos foi a visão sobre a Amazon. Green reiterou que o gigante do varejo pode reduzir seu papel como DSP do open internet devido à exposição regulatória, comparando-a com os desafios antitruste enfrentados pelo Google. Para ele, o risco para a Amazon seria ainda maior devido à interseção entre publicidade, varejo, cloud e streaming, descrevendo o cenário como um “erro estratégico” do ponto de vista macroeconômico.
Retail media como oportunidade, mas sem PLA em escala
Green também destacou o retail media como vetor importante para a programática, embora reconheça que a The Trade Desk ainda não opere product listing ads (PLA) em escala. Questionado sobre os movimentos de grandes grupos de agência em torno do OpenPath, ele evitou comentar.
No geral, a beta com Claude é mais um sinal de direção do que um lançamento: a The Trade Desk está explorando se a IA generativa pode simplificar e acelerar a construção de campanhas em um ambiente onde o diferencial não é apenas automatizar, mas fazê-lo com controle, governança e resultados mensuráveis. A questão que permanece é até que ponto esses testes se tornarão uma camada padrão de operação em programática e quais players estarão dispostos a abrir seu stack para que isso funcione efetivamente em todo o ecossistema.

