Alphabet melhora os resultados publicitários, mas a IA assume o centro da sua estratégia

A Alphabet apresentou resultados sólidos no segundo trimestre, impulsionados, mais uma vez, pelo crescimento do seu negócio publicitário. No entanto, a apresentação de resultados aos investidores transmitiu uma mensagem diferente da de anos anteriores: embora a publicidade continue a gerar dezenas de milhares de milhões de dólares, a conversa estratégica da empresa está cada vez mais centrada na inteligência artificial.

Segundo a AdExchanger, durante a apresentação dos resultados houve poucas referências ao negócio publicitário. Os termos "advertising", "advertiser" e "advertisers" surgiram apenas 21 vezes, sempre nas intervenções preparadas pelos executivos, enquanto, na sessão de perguntas e respostas, os investidores não colocaram qualquer questão relacionada com publicidade. Em contrapartida, as referências às TPUs (Tensor Processing Units), os processadores especializados da Google para inteligência artificial, foram mencionadas 28 vezes, evidenciando a mudança de prioridades dentro da Alphabet.

A publicidade continua a crescer, mas perde protagonismo para a IA

Apesar desta mudança de foco, a publicidade continua a ser um dos principais motores financeiros da empresa. No segundo trimestre, a Alphabet registou receitas de 119,8 mil milhões de dólares, face aos 96,4 mil milhões de dólares alcançados no mesmo período do ano anterior.

No segmento publicitário, o YouTube Ads aumentou as suas receitas de 9,8 mil milhões para 11,1 mil milhões de dólares em apenas um ano.

Já a Google Network, divisão que reúne a publicidade servida na open web, voltou a registar uma quebra homóloga das receitas, prolongando uma tendência que se tem vindo a verificar nos últimos trimestres.

A inteligência artificial foi, contudo, o verdadeiro destaque da apresentação. Philipp Schindler, SVP e Chief Business Officer da Google, explicou, citado pela AdExchanger, que os modelos Gemini já estão integrados em toda a infraestrutura publicitária da empresa, desde a melhoria da qualidade dos anúncios até às ferramentas para anunciantes e às novas experiências de pesquisa baseadas em IA.

Schindler destacou ainda o AI Max, a solução de licitação baseada em inteligência artificial para campanhas de Search e Shopping, afirmando que se tornou um elemento central para permitir aos anunciantes participar nas novas experiências de IA da Google. Segundo o responsável, a solução está a gerar uma melhoria média de 50% nas conversões ou no retorno sobre o investimento publicitário (ROAS).

O executivo referiu também que o AI Mode, a nova experiência de pesquisa totalmente baseada em inteligência artificial, já integra o grupo de aplicações da Google com mais de mil milhões de utilizadores, juntamente com serviços como Gmail, YouTube, Google Maps, Google Play e Chrome.

Para além da publicidade, outro dos grandes destaques do trimestre foi o desempenho da Google Cloud. As receitas da divisão cresceram de 13,6 mil milhões para 24,8 mil milhões de dólares, o que representa um aumento de 82% face ao período homólogo.

Durante a apresentação, a CFO, Anat Ashkenazi, revelou ainda que a Alphabet aumentou significativamente o seu nível de endividamento ao longo do último ano, passando de 16 mil milhões para 100 mil milhões de dólares em dívida emitida em diferentes mercados e moedas.

Um dos números mais expressivos do trimestre foi o lucro líquido da empresa. A Alphabet registou um resultado superior a 112 mil milhões de dólares, impulsionado em grande parte pela valorização da sua carteira de investimentos após a entrada em bolsa da SpaceX, empresa na qual tinha investido anteriormente cerca de 900 milhões de dólares.

A inteligência artificial redefine as prioridades da Alphabet

A mudança de discurso ficou também evidente nas questões colocadas pelos analistas. Um dos principais temas da conferência centrou-se na forma como a Alphabet irá distribuir a capacidade das suas TPUs entre os projetos internos de inteligência artificial e os clientes da Google Cloud.

Em resposta, o CEO da Alphabet, Sundar Pichai, afirmou que a prioridade da empresa continuará a ser garantir capacidade computacional suficiente para competir no desenvolvimento dos modelos de IA mais avançados e acelerar o caminho para a chamada Inteligência Artificial Geral (AGI).

Nas palavras de Pichai, citadas pela AdExchanger, esse objetivo constitui "a base de tudo o que fazemos", uma declaração que evidencia até que ponto a inteligência artificial passou a ocupar o centro da estratégia da Alphabet, mesmo num trimestre em que a publicidade voltou a apresentar resultados recorde.

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