Os publishers procuram transformar a visibilidade na IA numa nova oportunidade de negócio para os anunciantes

Com a expansão dos modelos de inteligência artificial, surge uma nova variável para o ecossistema digital: a visibilidade que os meios de comunicação conquistam nas respostas geradas por ferramentas de IA.

Segundo uma análise publicada pela Digiday, cada vez mais publishers estão a explorar formas de transformar essa presença em novos produtos comerciais para as marcas. A chamada AI Visibility, também conhecida como Generative Engine Optimization (GEO), começa a afirmar-se como uma nova forma de medir a autoridade dos conteúdos num contexto em que os utilizadores recorrem cada vez mais a assistentes e motores de pesquisa baseados em inteligência artificial.

Meios como Axios, Forbes, Future, Time e The Washington Post já estão a desenvolver propostas que prometem ajudar as marcas a aumentar a frequência com que são mencionadas e citadas nas respostas geradas por grandes modelos de linguagem (LLMs). A tendência também começa a ganhar expressão na Alemanha, onde grupos editoriais como Hubert Burda Media, Funke e Klambt estão a trabalhar em iniciativas semelhantes.

O interesse por esta nova métrica não parte apenas dos publishers. Fontes do setor citadas pela Digiday explicam que são as próprias marcas que começam a procurar aconselhamento sobre como reforçar a sua presença em plataformas de inteligência artificial. A Time, por exemplo, recebeu recentemente vários pedidos de anunciantes interessados em soluções para melhorar a forma como as suas marcas surgem nas respostas geradas por IA, revelou o seu Chief Operating Officer, Mark Howard.

A lógica é simples: se um publisher é citado de forma recorrente por um chatbot, pode demonstrar que os seus conteúdos são considerados relevantes e credíveis pelos sistemas de IA. Para os publishers, essa autoridade representa um novo argumento comercial. Como refere Nina Gould, Chief Innovation Officer da Forbes, "os meios de comunicação já não vendem apenas impressões, mas também visibilidade dentro do ecossistema de conhecimento da inteligência artificial".

Uma métrica ainda em construção

O principal desafio é que ainda não existe um padrão comum para medir a visibilidade em inteligência artificial. As diferentes plataformas de análise utilizam metodologias distintas para avaliar quais os publishers com maior presença nas respostas geradas por IA: algumas analisam o número de menções, outras o volume de citações, a atribuição das fontes ou a quota de presença face aos concorrentes.

Esta ausência de normalização levanta algumas reservas entre os publishers. Mark Howard afirmou à Digiday que, atualmente, não existe uma referência comparável a soluções consolidadas como a Comscore ou a Similarweb que permita realizar comparações consistentes entre diferentes websites.

Apesar desta incerteza, os publishers continuam a investir nesta nova área, uma vez que responde a uma necessidade crescente dos anunciantes: compreender como as suas marcas são representadas num ambiente em que a inteligência artificial começa a influenciar de forma significativa os processos de pesquisa e descoberta.

A Forbes utiliza ferramentas como a Profound para analisar a sua presença nos sistemas de IA, avaliando fatores como o número de citações, a atribuição das fontes e o posicionamento relativamente a outros meios. Também a Axios identificou uma oportunidade depois de surgir entre os publishers mais citados em diversos estudos sobre visibilidade em inteligência artificial.

A nova disputa por ser uma fonte de referência para a IA

Na ausência de uma métrica universal, alguns publishers estão a recorrer a indicadores alternativos. A Time, por exemplo, monitoriza o tráfego gerado por bots de inteligência artificial como um indicador do interesse que os seus conteúdos despertam junto destes sistemas.

Segundo Mark Howard, o meio encontra-se entre os publishers com maior atividade de bots de IA na rede da TollBit, um sinal que utiliza para demonstrar às marcas que os seus conteúdos têm relevância dentro destes ecossistemas.

Para as agências, esta evolução representa também uma nova forma de encarar a visibilidade digital. Já não basta aparecer nos resultados da Google, gerar tráfego ou conquistar cobertura mediática. Passa igualmente a ser essencial perceber se os sistemas de IA apresentam uma marca, citam fontes credíveis e representam corretamente a empresa nas respostas que fornecem aos utilizadores.

Embora ainda exista um longo caminho até à criação de métricas padronizadas, a visibilidade em inteligência artificial está a afirmar-se como um novo ativo estratégico, tanto para os publishers como para os anunciantes.

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