As saídas a bolsa no Mobile AdTech poderão reactivar-se em 2026

Após mais de três anos de fraca actividade, o mercado de admissões em bolsa no sector de AdTech poderá estar prestes a entrar num novo ciclo. A decisão da Liftoff, empresa de AdTech móvel apoiada pela Blackstone, de avançar para uma IPO nos Estados Unidos reabriu o debate sobre uma possível reactivação do mercado, que desde 2021 registou apenas uma grande operação: a entrada em bolsa da empresa de CTV MNTN, na passada primavera.

Caso o mercado de IPOs ganhe novo fôlego ainda este ano, os executivos do sector antecipam que as primeiras empresas a avançar terão um perfil semelhante ao da Liftoff: companhias com crescimento sustentado e forte exposição à publicidade de performance, o segmento orientado para resultados mensuráveis — como instalações de aplicações e vendas online — e cada vez mais impulsionado pela inteligência artificial.

A Liftoff oferece um software development kit (SDK) que os developers integram nas suas aplicações para monetização publicitária, bem como uma plataforma para anunciantes que recorre a machine learning para identificar utilizadores móveis de elevado valor. Nos primeiros nove meses de 2025, a empresa registou receitas de 491 milhões de dólares, um crescimento de 30% face ao período homólogo. Nesse mesmo intervalo, alcançou 263,3 milhões de dólares de lucro operacional, com uma margem de 54%, embora tenha encerrado o período com um prejuízo líquido de 25,6 milhões de dólares.

Segundo especialistas do sector citados pela Business Insider, InMobi e Moloco apresentam perfis semelhantes e poderão ser os próximos candidatos a entrar em bolsa. Nos últimos anos, o mercado de AdTech móvel concentrou-se num grupo restrito de grandes players, entre os quais se destacam a AppLovin (Unity), o AdMob da Google e a Mobvista. A entrada de novo capital através de IPOs poderá funcionar como catalisador para uma retoma da actividade de fusões e aquisições (M&A).

Neste contexto, a ascensão da AppLovin levou a sua capitalização bolsista para valores superiores a 200 mil milhões de dólares, consolidando-a como a AdTech pure-play mais valiosa do mercado. Os seus elevados níveis de margem assentam na plataforma de targeting baseada em IA, Axon, bem como na expansão do gaming para a publicidade de e-commerce. Outras empresas de AdTech móvel e os seus investidores esperam seguir um trajecto semelhante.

O investimento em aplicações móveis cresceu 21,6% em termos homólogos, atingindo 155,8 mil milhões de dólares em 2025, segundo dados da Appfigures. As empresas de AdTech móvel evoluíram de simples intermediários de colocação de anúncios em sites e apps para plataformas sofisticadas, assentes em IA, dados e machine learning, capazes de gerar retornos significativos: cada dólar investido em publicidade pode traduzir-se em três, cinco ou até dez dólares em receitas.

A actualização de privacidade da Apple, introduzida em 2021, obrigou as aplicações a solicitar autorização aos utilizadores para efeitos de rastreamento publicitário. Como a maioria recusou, publishers e anunciantes perderam acesso ao identificador anónimo da Apple, fundamental para segmentação precisa e medição de campanhas. Embora muitas empresas — em particular a Meta — tenham sofrido perdas imediatas de receitas publicitárias, nos últimos anos o sector adaptou-se, investindo em dados próprios, ferramentas de IA e publicidade contextual, reduzindo a dependência do identificador da Apple.

Este novo equilíbrio poderá abrir caminho para uma nova vaga de IPOs no Mobile AdTech, já em 2026.

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