Assim a Ace Hardware impulsiona o crescimento do seu retail media com dados, medição e execução omnicanal
A Ace Hardware quer demonstrar que o sucesso em retail media não depende apenas do tamanho da rede, mas da sua capacidade de ligar media, merchandising e execução comercial. Essa é uma das ideias centrais que emerge da conversa no episódio 508 do ‘Total Retail Talks’ entre Joe Keenan e Tyler Lusebrink, head of brand partnerships da RedVest Media, a rede de retail media da Ace Hardware.
Lusebrink começa por enquadrar o forte crescimento do retail media e explica como a medição está a evoluir para modelos “decision-driven”, apoiados em closed-loop outcomes e em otimização em tempo real. A lógica é clara: já não basta demonstrar exposição ou eficiência tática; o foco passa a estar em que decisões de investimento são tomadas e como essas decisões se ligam a resultados observáveis.
Outro ponto relevante do episódio é que o desempenho do retail media varia consoante os objetivos de cada marca. Lusebrink sublinha que nem todas as campanhas devem ser avaliadas pelos mesmos critérios e que a chave está em ligar a ativação de media a variáveis mais operacionais, como sortido, sazonalidade ou execução em loja. Por outras palavras, a rede publicitária não pode funcionar isolada do negócio comercial do retalhista.
No caso da Ace Hardware, essa ligação apoia-se em vários ativos concretos. A empresa trabalha com dados dos seus mais de 70 milhões de membros do programa de fidelização, com informação de stock em tempo real e com tracking de comportamento e vendas tanto em loja física como online. A isso junta testes com formatos como sinalética e áudio, reforçando uma visão de retail media mais próxima de uma lógica omnicanal do que de uma simples monetização onsite.
A conversa também aborda o papel da inteligência artificial. Segundo a descrição do episódio, Lusebrink explica como a IA e os dados estão a ajudar a Ace Hardware a melhorar a segmentação de audiências em tempo real, otimizar bids e acelerar a tomada de decisões dentro da rede. O ponto crítico aqui não é apenas a automação, mas a velocidade com que essas decisões podem ser ajustadas a condições comerciais reais.
Do ponto de vista das marcas, o executivo deixa uma recomendação clara: integrar o retail media num plano comercial mais amplo, quebrar silos internos, manter coerência full-funnel e reduzir fricção para o cliente. Esta visão reforça uma ideia cada vez mais comum no mercado: o retail media funciona melhor quando deixa de ser uma camada tática isolada e passa a fazer parte da estratégia comercial global da marca e do retalhista.
O próprio percurso de Lusebrink ajuda a contextualizar isto: antes de se juntar à Ace Hardware no final de 2025, o executivo trabalhou em iniciativas de new business na Dollar General Media Network e integrou a equipa de emerging and new business da Kroger Precision Marketing. Hoje, através da RedVest Media, impulsiona novas oportunidades comerciais, parcerias estratégicas e formas de as marcas se ligarem aos clientes da Ace através das suas mais de 5.000 lojas nos Estados Unidos.
A Ace Hardware está a construir a sua proposta de retail media não apenas em dados de cliente, mas numa integração mais estreita entre media, inventário, operações e medição — o que torna a RedVest Media um exemplo interessante de como redes de retail media de dimensão média podem competir não tanto por escala bruta, mas pela capacidade de ativação e ligação real ao negócio.

