Do algoritmo das redes sociais aos LLM: os criadores começam a otimizar a sua visibilidade para serem descobertos pelas marcas

Os criadores de conteúdos passam há anos a otimizar os seus perfis e publicações para conseguir maior visibilidade nos algoritmos das redes sociais. Agora, o desafio está também nos chatbots de inteligência artificial, que começam a tornar-se uma nova via para que marcas e agências encontrem os perfis com quem querem trabalhar.

Algumas marcas já recorrem a ferramentas de IA para identificar quais os criadores que aparecem com maior frequência em determinadas pesquisas. Segundo o Digiday, é o caso da marca de azeite Kosterina, que afirma começar frequentemente a pesquisa de potenciais colaborações no Claude. Ao mesmo tempo, executivos de agências consultados pelo meio de comunicação referem que a visibilidade nos motores de pesquisa com IA começa a ser incluída em alguns briefs.

Para os criadores, aparecer nas respostas destes sistemas começa a ser uma nova forma de ganhar visibilidade, não apenas junto de potenciais parceiros comerciais, mas também de utilizadores que recorrem à IA para obter informação. Alguns já começaram a tomar medidas para melhorar essa presença.

É o caso de Courtney Johnson, criadora especializada em desenvolvimento profissional e marca pessoal, que desde outubro tem um website focado em AEO, onde reúne e adapta conteúdos que já tinha publicado nas redes sociais e noutros canais, transformando-os em textos mais acessíveis aos bots. O site inclui também dados estruturados e um índice em texto simples pensado para os LLMs.

Os dados analisados por Johnson indicam que a estratégia já está a produzir resultados. Segundo dados internos da Cloudflare partilhados por Johnson com o Digiday, o seu website é rastreado por crawlers verificados da OpenAI, Anthropic, Amazon, Apple, Huawei e DuckDuckGo. O impacto não se limita, contudo, aos motores de pesquisa com IA: em julho, o site registou 3.048 impressões no Google, face às 2.568 de junho. Desde o lançamento do website, acumula 10.766 impressões e 435 cliques no Google Search Console.

Outros criadores estão, por outro lado, a começar por analisar a presença que já têm nos sistemas de IA. É o caso de Colin Rocker, que este mês utilizou o Claude para realizar uma auditoria às suas menções e perceber em que fontes aparecia. A análise revelou que tinha maior probabilidade de ser citado através do seu perfil no LinkedIn e das suas participações em podcasts.

Esta análise levou-o também a procurar novas formas de ganhar visibilidade para além do passa-palavra, uma estratégia que até agora lhe tinha permitido fechar acordos com empresas como a Apple, Adobe e Meta. Entre as opções que está a considerar encontram-se conseguir maior presença nos meios de comunicação, criar uma página na Wikipédia ou transcrever os guiões dos seus vídeos virais.

A estratégia pode também apoiar-se em elementos mais conhecidos do SEO, como a utilização de determinadas keywords e a publicação consistente de conteúdos. Rachel Lowenstein, criadora especializada em análise cultural e em questões relacionadas com o autismo e a neurodiversidade, já está a estudar como aplicar estes critérios aos seus próprios conteúdos.

Tudo indica que a IA pode abrir uma nova via para a descoberta de criadores. Se marcas e agências recorrerem cada vez mais aos LLM para identificar perfis com quem trabalhar, aparecer nas suas respostas poderá tornar-se outro fator relevante no âmbito do influencer marketing.

Por enquanto, estas estratégias ainda estão numa fase inicial, mas a mudança que representam poderá ganhar dimensão. Depois de anos a adaptar os seus conteúdos aos algoritmos das redes sociais, os criadores poderão ter de começar a fazer o mesmo com os sistemas de IA que determinam quais os perfis que aparecem nas suas respostas.

A visibilidade poderá, assim, passar a disputar-se também num novo território: o dos motores de pesquisa e assistentes baseados em inteligência artificial.

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