O ecossistema FAST consolida-se como laboratório de inovação para a publicidade em CTV

Os canais FAST são normalmente excluídos da categoria de conteúdo “premium” que tradicionalmente atrai a maior parte do investimento publicitário em televisão. No entanto, segundo uma análise recente da AdExchanger, este ecossistema está a tornar-se um dos espaços mais relevantes para testar e desenvolver novas soluções publicitárias dentro da CTV.

A principal razão é a sua natureza flexível. Por operar num ambiente de menor custo e com elevados volumes de inventário, os canais FAST permitem que publishers, empresas de AdTech e anunciantes testem formatos, ferramentas de segmentação e modelos de compra programática que seriam mais difíceis de implementar na televisão linear tradicional.

A contextualidade atinge um novo nível

Uma das inovações mais relevantes é o avanço da publicidade contextual ao nível da cena. A empresa Anoki, especializada em segmentação contextual, trabalha com a Amagi (empresa de distribuição e monetização de canais FAST) no desenvolvimento de tecnologias capazes de identificar o que está a acontecer no ecrã em tempo real para ativar mensagens publicitárias relevantes.

Esta tecnologia permite que as marcas apareçam em momentos específicos do conteúdo e não apenas nos intervalos publicitários tradicionais. Por exemplo, se o espetador estiver a ver uma cena de culinária ou com determinados produtos em utilização, uma marca relacionada pode surgir com uma mensagem contextualizada nesse mesmo instante.

Para isso são usados formatos chamados “squeeze-back”, que reduzem temporariamente o tamanho do vídeo principal para incorporar elementos publicitários à volta da imagem sem interromper totalmente a experiência de visualização. O objetivo é aumentar a relevância e a memória de marca através do contexto exato em que o espetador se encontra.

Inovação com controlo para as marcas

Apesar da ambição destes formatos, os anunciantes continuam a exigir garantias de frequência, medição e brand safety. As inserções contextuais são desenhadas para não coincidir com blocos publicitários convencionais e para limitar a sua repetição, evitando saturação do utilizador.

Além disso, podem ser medidas com métricas semelhantes às utilizadas noutros formatos dentro do FAST, segundo afirmou ao meio Srinivasan KA, cofundador e presidente de negócios globais da Amagi.

A segurança de marca também é central. Para responder a esta necessidade, a Anoki desenvolveu a plataforma ContextIQ, que permite aos anunciantes filtrar conteúdos, bloquear títulos específicos ou selecionar cenas com base em critérios definidos, controlando com precisão em que contextos querem aparecer.

Mais do que a novidade tecnológica, os primeiros resultados mostram sinais positivos. Segundo um caso citado pela AdExchanger, uma marca automóvel registou um aumento de 29,8% na intenção de visita ao site e uma melhoria de 11,4% na associação de marca após utilizar este tipo de anúncios integrados em cena.

Também foram observados resultados positivos em categorias como restauração rápida, viagens e eletrodomésticos especializados, sugerindo potencial de aplicação mais amplo.

FAST para além do “premium”

Para agências e anunciantes, o valor dos canais FAST já não está apenas em oferecer inventário adicional ou custos mais baixos. Está na capacidade de ligar criatividade publicitária ao conteúdo consumido em tempo real, criando experiências mais relevantes.

Neste contexto, independentemente de serem considerados premium ou não, os canais FAST estão a assumir um papel crescente como laboratório de testes para o futuro da publicidade em TV. A inovação em formatos, segmentação e contextualidade encontra aqui um ambiente ideal para maturação antes de escalar para outros segmentos da CTV.

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