Os retalhistas começam a testar apps no ChatGPT e Claude, mas a utilização real continua em dúvida
Os retalhistas e as marcas estão a acelerar o lançamento de apps de compras no ChatGPT e no Claude, mas ainda não é claro se os consumidores as vão adotar com rapidez suficiente para que se tornem um canal relevante. Em outubro, a OpenAI lançou as apps do ChatGPT e, este mês, o Claude apresentou os seus connectors para utilização por consumidores. Segundo a AppDiscoverability.com, já existem quase 900 apps no ChatGPT e 353 conectores no Claude, sendo que cerca de 10% das apps do ChatGPT estão relacionadas com compras. Grandes retalhistas como a Target e a Walmart já marcaram presença.
O problema é que continua a existir pouca visibilidade sobre o desempenho destas apps e, sobretudo, sobre a sua real capacidade de gerar compras. Fontes citadas no artigo original referem que a adoção e a conversão permanecem baixas, em parte porque muitos utilizadores nem sequer sabem que existe uma loja de apps no ChatGPT. Além disso, esta nova vaga surge depois da retirada do Instant Checkout, a funcionalidade que permitia comprar sem ligar uma app externa e que, segundo várias fontes, não conseguiu impulsionar as vendas de forma significativa.
Nem todas as apps funcionam da mesma maneira. Algumas limitam-se a redirecionar para websites externos, enquanto outras permitem adicionar produtos ao carrinho ou avançar no processo de compra. A Sephora lançou uma app no ChatGPT para oferecer recomendações de beleza e vantagens de fidelização, enquanto a Starbucks ativou uma versão beta que permite aos utilizadores pedir sugestões de bebidas, personalizá-las e concluir a compra na sua própria app. Isto mostra que o formato continua numa fase bastante experimental, com propostas muito diferentes entre si.
Um dos principais entraves está na falta de discoverability orgânica. Para utilizar uma app específica, o utilizador precisa de a conhecer, encontrá-la, instalá-la e ativá-la antes de obter uma resposta dessa marca. Por isso, várias empresas estão a entrar neste espaço mais por FOMO do que por resultados comprovados. Ao mesmo tempo, muitos retalhistas continuam a ver mais valor noutras abordagens, como influenciar os chatbots nativos através de estratégias de generative engine optimization ou desenvolver funcionalidades de IA dentro dos seus próprios ambientes digitais.
O setor do retalho não quer ficar de fora do próximo ciclo de interfaces conversacionais, mas ainda não existem evidências suficientes de que estas apps se venham a transformar num verdadeiro motor de vendas. Para já, parecem funcionar mais como um laboratório de aprendizagem e experimentação do que como um canal maduro de commerce.

