A Yahoo procura o seu lugar na inteligência artificial defendendo o tráfego para os publishers

A Yahoo quer diferenciar-se na corrida pela integração da inteligência artificial. Num momento em que praticamente todas as grandes tecnológicas estão a incorporar IA nos seus produtos, a empresa tenta posicionar-se com um discurso próprio: não se trata apenas de responder melhor às pesquisas dos utilizadores, mas de o fazer sem prejudicar o ecossistema de publishers.

Durante a sua apresentação no NewFronts, a Yahoo destacou o seu motor de pesquisa baseado em IA, Yahoo Scout, como uma das suas principais apostas estratégicas. Lançado em versão beta nos Estados Unidos em janeiro, este sistema procura não só melhorar a experiência do utilizador, como também otimizar a segmentação publicitária.

Ao contrário de outros players do mercado, a Yahoo desempenha um duplo papel: é tecnologia, mas também é publisher. E isso condiciona a sua narrativa. Enquanto gigantes como a Google estão a concentrar tráfego com os seus resumos gerados por IA, muitos publishers veem as suas visitas diminuir sem uma compensação clara. “Somos um publisher líder cujo conteúdo também é utilizado por outros motores de resposta com IA que geram pouco ou nenhum tráfego de volta para os publishers”, devido a uma citação inadequada de fontes, afirmou Jim Lanzone, CEO da Yahoo.

Perante este cenário, a interface do Yahoo Scout está, segundo Lanzone, “cheia de links” que, combinados com respostas personalizadas às pesquisas, poderão incentivar os utilizadores a visitar os sites dos publishers, incluindo os próprios meios da Yahoo.

E é aqui que surgem as dúvidas inevitáveis. Porque, embora o discurso de apoio aos publishers seja apelativo, o modelo de negócio da Yahoo levanta a questão sobre até que ponto o sistema irá priorizar conteúdos do seu próprio ecossistema em detrimento dos de terceiros.

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