Segundo a Omdia, o Google TV deverá perder quota de mercado na Europa face ao crescimento de plataformas como VIDAA, Titan OS e TiVo OS

O mercado europeu de sistemas operativos para televisão conectada caminha para uma distribuição mais aberta. Segundo as mais recentes projeções da Omdia, citadas pela VideoWeek, o Google TV deverá perder quota na Europa nos próximos anos face a novos players como VIDAA, Titan OS e TiVo.

Há quatro anos, o mercado europeu era dominado sobretudo por três grandes sistemas: o Tizen da Samsung, o Google TV e o webOS da LG. No entanto, a Omdia prevê que este equilíbrio mude gradualmente à medida que ganham terreno plataformas que nem sequer estavam presentes no mercado europeu em 2022, como VIDAA, Titan OS e TiVo. Em conjunto, estes três sistemas operativos deverão atingir 28% do mercado europeu em 2030, face aos 21% estimados para 2025. Em paralelo, o Google TV deverá descer de 32% para 26% nesse mesmo período. A Omdia descreve estes novos concorrentes como um grupo crescente de sistemas operativos independentes que já estão a desafiar o Google TV na Europa.

Esta mudança não se explica apenas por fatores tecnológicos, mas também por razões de negócio. Segundo a análise, à medida que as margens na venda de televisores diminuem, fabricantes e marcas estão a dar maior relevância a receitas recorrentes ligadas à publicidade e aos dados. Neste contexto, os sistemas operativos tornam-se uma via para monetizar inventário no ecrã inicial e em canais FAST após a venda do dispositivo. É aqui que a Omdia identifica uma vantagem para estes novos players. Ao contrário da abordagem mais fechada do Google TV — que concentra grande parte do valor publicitário e dos dados dentro do ecossistema da Google — sistemas como VIDAA, Titan OS e TiVo oferecem aos fabricantes modelos de partilha de receita e maior controlo sobre a experiência do utilizador e as audiências. Além disso, a Omdia destaca que as suas arquiteturas baseadas em Linux são mais leves e mais económicas de operar do que a infraestrutura mais pesada do Google TV.

Este maior controlo permite a fabricantes como a Philips, no caso do Titan OS, ou a Hisense, no caso do VIDAA, preservar melhor a sua identidade de marca e aceder aos seus próprios dados de audiência. No caso do Titan OS, o foco europeu também passa pela integração de broadcasters locais no ecrã inicial — uma estratégia que a TiVo também tem vindo a desenvolver na região. A parceria anunciada no ano passado entre o Titan OS e a TiVo reforça esta tese, ao permitir às duas empresas ganhar escala publicitária suficiente para atrair grandes anunciantes europeus e tornar mais credíveis as suas propostas de partilha de receitas junto dos fabricantes de televisores.

Na Europa, a competição entre sistemas operativos de CTV já não se centra apenas na distribuição ou na interface, mas sim em quem consegue oferecer aos fabricantes a melhor combinação de monetização, controlo de dados e autonomia face aos grandes walled gardens. E, segundo a Omdia, essa mudança começa a pressionar a posição do Google TV na região.

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