Zuckerberg impulsiona o “AI shopping” e prepara agentes de compra integrados nos feeds e no WhatsApp
A Meta encerrou o quarto trimestre de 2025 com o seu negócio publicitário em máximos históricos, ao mesmo tempo que utiliza esse desempenho como motor para o próximo salto em infra-estrutura de inteligência artificial. A empresa reportou receitas totais de 59,9 mil milhões de dólares, detalhando que as impressões publicitárias cresceram 18%, enquanto o preço médio por anúncio aumentou 6%. No mesmo período, os “Family daily active people” — utilizadores diários no conjunto de aplicações — atingiram uma média de 3,58 mil milhões em dezembro.
Neste contexto, a Meta antecipa um aumento “pronunciado” do investimento. A empresa prevê um capex entre 115 mil e 135 mil milhões de dólares em 2026, face a 72,2 mil milhões em 2025 (dos quais 22,1 mil milhões apenas no quarto trimestre). A CFO, Susan Li, associou este crescimento sobretudo a custos de infra-estrutura — incluindo maior depreciação, operação de centros de dados e investimento em clouds de terceiros — e à compensação associada à contratação de talento técnico orientado para IA.
A aposta vai além de “mais IA” em abstracto. A Meta procura ligar os seus modelos de linguagem aos sistemas de recomendação que alimentam o Facebook, o Instagram, o Threads e o seu negócio publicitário, e estender essa camada a experiências de “agentic shopping” (compras assistidas por agentes) nos feeds e em aplicações como o WhatsApp. Mark Zuckerberg defendeu que existe “uma grande diferença” entre utilizadores que recorrem a agentes e os que não o fazem, uma vez que estes sistemas conseguem operar com “contexto único” para gerar mais valor.
Em paralelo, a Meta sublinha que, apesar de estar a construir novas linhas de negócio em torno da IA, a publicidade continuará a ser o eixo central do modelo. Nesse sentido, a empresa está a expandir o seu assistente de IA para empresas a um maior número de anunciantes “nos próximos meses”, enquanto continua a alargar o inventário disponível: o Threads iniciou a expansão da publicidade a todos os utilizadores a nível internacional.
A narrativa é reforçada por indicadores de engagement. Na apresentação de resultados, a Meta indicou que o tempo de visualização dos Reels no Instagram nos EUA cresceu mais de 30%, atribuindo esse desempenho a optimizações nos sistemas de recomendação e na arquitectura de ranking. Este crescimento é particularmente relevante porque, na prática, mais consumo e melhor recomendação tendem a traduzir-se em mais oportunidades de monetização publicitária.
No que diz respeito a hardware, a empresa mantém a Reality Labs como uma aposta de longo prazo. A unidade registou receitas de 955 milhões de dólares no trimestre, enquanto a Meta intensifica a pressão comercial sobre o produto: a marca Oakley Meta levará os seus óculos com IA ao Super Bowl, naquele que será o seu maior palco publicitário até à data.
Por detrás deste movimento está uma corrida à infra-estrutura. A Meta está a acelerar a construção de centros de dados e, segundo a Reuters, tem recorrido também a soluções e ferramentas de cloud de terceiros para aliviar limitações internas. Paralelamente, nos últimos meses, reforçou a sua aposta em agentes através de movimentos corporativos — como a aquisição da Manus — e de ajustamentos organizativos destinados a sustentar este esforço.

