A Time lança um produto GEO para monitorizar a visibilidade e o sentimento de marca em IA
A Time está a capitalizar o conhecimento que adquiriu sobre a forma como os motores de pesquisa baseados em IA recolhem informação — e quando a própria Time aparece nesses resumos — para lançar um novo produto GEO dirigido a marcas, segundo avançou a Digiday.
Tal como outros publishers, como a Forbes e a Future, que já comercializam ferramentas de visibilidade em IA com o objetivo de aumentar as menções de marca em resultados gerados por inteligência artificial, a Time procura transformar os seus insights num serviço comercializável. No entanto, a sua proposta diferencia-se pelo foco no sentimento de marca: analisa como os motores de IA descrevem uma marca, identifica discrepâncias face à mensagem que a marca pretende transmitir e propõe conteúdo para corrigir essas diferenças.
Mark Howard, COO da Time, explicou no Digiday Publishing Summit que a empresa compara o que a publicidade de uma marca comunica com aquilo que as plataformas de IA efetivamente dizem. Para isso, gera até 100 prompts diferentes e avalia as fontes citadas por sistemas como ChatGPT, Claude, Gemini ou Perplexity. Desta forma, consegue medir o grau de alinhamento entre as respostas geradas por IA e a narrativa da marca.
Para operacionalizar esta análise, a Time colabora com a Mobian, que avalia o conteúdo de marca em termos de tom e sentimento. Um estudo da Mobian com 750 marcas concluiu que 17% das menções em IA eram incorretas ou não refletiam a menção da marca. Jonah Goodhart, CEO da empresa, destacou que os sistemas de IA, por vezes, enfatizam aspetos que as marcas não pretendem destacar.
Esta ferramenta GEO inclui também a criação de conteúdo — tanto texto como vídeo — publicado na própria plataforma da Time e em canais externos como o YouTube. O publisher monitoriza depois a frequência com que esse conteúdo é referenciado nas respostas de IA. Segundo Mark Howard, análises realizadas indicam que até conteúdos de criadores com menos de 1.000 subscritores podem ter mais influência nas respostas de IA do que os canais oficiais das marcas.
Embora não tenham sido revelados preços, o produto deverá ser integrado nos pacotes de branded content existentes, com o objetivo de construir relações de longo prazo com as marcas, em vez de iniciativas pontuais. Jonah Goodhart acrescentou que ainda não é claro se os sistemas de IA tratam o conteúdo de marca de forma diferente do editorial, mas sublinhou que o fator determinante para a visibilidade continua a ser a associação a uma fonte credível e confiável.
Como próximo passo, a Time e a Mobian irão avaliar se estas ações conseguem efetivamente influenciar a forma como os sistemas de IA percecionam as marcas — embora, dado o ritmo de evolução destas plataformas, esse impacto deva ser progressivo.

