A WPP integra a Hogarth e as equipas da Ogilvy e da VML sob a nova unidade “WPP Production”

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A WPP anunciou a criação da WPP Production, uma nova estrutura global através da qual irá unificar as suas capacidades de produção numa única entidade. O movimento integra a Hogarth (até agora a principal marca de produção do grupo) com as equipas de produção distribuídas por várias agências da WPP, entre as quais a Ogilvy e a VML.

A empresa confirmou que a mudança implicará a retirada formal da marca Hogarth. A transição tornar-se-á efectiva a 23 de fevereiro de 2026 e a nova organização contará com cerca de 10.000 colaboradores a nível global, com presença em mais de 40 cidades.

À frente da WPP Production estará Richard Glasson, até agora CEO global da Hogarth, que assumirá a mesma função na nova unidade. Segundo a WPP, a reorganização não implicará cortes de pessoal: não haverá despedimentos e a empresa sublinha que o objectivo não é uma operação de redução de custos, mas sim uma reconfiguração destinada a oferecer uma produção mais integrada e escalável para clientes globais.

IA, dados e “high-velocity content” no centro do novo modelo

A WPP enquadra a criação da WPP Production numa estratégia mais ampla de integração de serviços e de simplificação do acesso dos clientes ao conjunto de capacidades do grupo. Nesse contexto, a empresa posiciona a IA generativa e os dados como alavancas-chave para acelerar a criação e adaptação de conteúdos, sustentadas por investimentos plurianuais numa rede de estúdios.

Um dos anúncios mais relevantes é o lançamento de um “high-velocity content studio”, descrito como uma solução integrada de produção + media, que coloca as audiências no centro da estratégia de conteúdos e optimiza o desempenho através de dados e de optimização em tempo real. A ambição passa por ligar de forma mais directa o planeamento e os insights de media à execução criativa, sobretudo num contexto de proliferação de formatos, plataformas e necessidades de adaptação rápida.

Uma plataforma única e padrões comuns, com execução local

Do ponto de vista operacional, a WPP indica que todas as equipas da WPP Production irão trabalhar sobre uma plataforma única, apoiada na tecnologia de produção e nos fluxos de trabalho baseados em IA do WPP Open. A promessa é dupla: ganhar consistência e coordenação à escala global, sem perder a componente local necessária para produzir conteúdos culturalmente relevantes em cada mercado.

Segundo a Adweek, a empresa associa também esta reorganização a benefícios directos para os anunciantes: prazos de entrega mais rápidos, acesso a capacidades de produção mais interligadas e uma estrutura preparada para grandes volumes, mantendo padrões de qualidade comuns.

De Hogarth a WPP Production: uma mudança de marca e de narrativa

Para além da mudança de nome, a decisão de “absorver” a Hogarth sob uma marca corporativa reflecte uma viragem estratégica: a WPP pretende que a produção seja percepcionada menos como uma unidade autónoma e mais como um motor central da sua oferta integrada (criatividade, media e produção). Este enquadramento é particularmente relevante num momento em que os grupos publicitários procuram diferenciar-se pela sua capacidade de produzir à escala e de optimizar com base em dados, em ciclos cada vez mais curtos, em vez de se limitarem à entrega de campanhas fechadas.

Com este movimento, a WPP alinha-se com uma tendência clara do sector: transformar a produção numa vantagem competitiva sistémica, impulsionada pela automatização, pela infra-estrutura e por workflows comuns, com o objectivo de responder a um mercado em que o volume de conteúdos cresce exponencialmente e os clientes exigem mais velocidade, mais versões e mais medição.

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